O primeiro de três dias de greve dos trabalhadores da empresa de handling Portway está a registar uma “adesão de quase 100%” na área de placa (toda a área de movimentação, parqueamento e assistência ao avião) e de 50% a 60% no atendimento a passageiros, disse o dirigente do Sindicato Nacional Dos Trabalhadores Da Aviação Civil (SINTAC), Fernando Santos, à Rádio Observador.

Segundo o sindicalista, em Lisboa há relatos preocupantes no que diz respeito à segurança. “Não sabemos até que ponto é que haverá alguns procedimentos de segurança que poderão estar a ser ‘saltados’. Temos relatos de colegas da área de passageiros que estão a carregar bagagens e que estão a ser solicitados para carregar aeronaves quando não é essa a sua função nem é essa a sua formação”, disse.

As notícias das 11h

A greve provocou o atraso dos “primeiros aviões da easyJet da manhã, em Lisboa e Porto”. Em Faro, segundo o que o sindicalista disse à Lusa, “cerca de 70% dos trabalhadores que deviam estar a operar na placa estão do lado de fora”, tal como em Lisboa e no Porto. “Agora vão começar a chegar os voos que vão fazer ‘rotações’. Nas próximas horas vamos começar a ter mais dados”, acrescentou Fernando Simões.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo o dirigente do SINTAC, o principal motivo da greve foi a falta de cumprimento por parte da Portway, que pertence ao grupo Vinci, do desbloqueamento de carreiras que devia ter sido feito em novembro, “conforme o que estava assinado no acordo de empresa, em 2016”. “Há muita coisa que já se vem arrastando ao longo do tempo. Os trabalhadores reunidos em plenário não aceitaram a proposta da empresa de baixar significativamente as remunerações e, por isso, foram também decididas estas formas de luta”, afirmou.

A greve dos trabalhadores de handling (serviços prestados em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio) começou esta sexta-feira e prolonga-se até domingo, sendo que já está marcada uma paralisação às horas extraordinárias, trabalho suplementar e banco de horas, a partir do dia 1 de janeiro.

Até este momento, no aeroporto de Lisboa, as eventuais perturbações da paralisação não são notadas, sendo que alguns trabalhadores da Portway prestam assistência em terra aos passageiros. “Neste momento, quem está a fazer os carregamentos é o pessoal contratado, nós compreendemos”, disse Sérgio Matos, delegado sindical no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A paralisação convocada pelo SINTAC abrange os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal.