(Em atualização)

Pelo menos 92 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, este sábado, pela explosão de um carro num posto de controlo de estrada em Mogadíscio, na concorrida interceção que liga a capital somaliana à localidade de Afgoye, segundo fontes médicas.

Ao final da manhã, às autoridades avisam que os números iam continua a subir. O balanço atual, avançado pela Reuters, continua a ser provisório e conservador, tendo apenas em conta os mortos em alguns hospitais, para onde se insta a população a doar sangue. “Pediu-se a outros pacientes, familiares e inclusive a médicos, enfermeiras e pessoal do hospital que doem sangue com urgência para ajudar as vítimas. A situação é má“, disse Ismail à Efe.

Entre os mortos há dois engenheiros de nacionalidade turca, que no momento da explosão realizavam obras na estrada que une Mogadíscio a Afgoye, e pelo menos 17 estudantesda Universidade de Benadir que se encontravam dentro de um miniautocarro a atravessar o cruzamento.

“A nossa ambulância foi a primeira a chegar. Encontrámos corpos espalhados e pessoas feridas. Alguns dos corpos ficaram queimados ainda vivos”, disse à Efe Abshir Mohamed Amina, um dos elementos das equipas de socorro que estão no terreno.

O atentado ocorreu às 08h00 locais (05h00 em Lisboa), quando um presumível suicida fez rebentar o veículo perto de uma repartição de impostos, num posto de controlo utilizado por veículos que saem e entram em Mogadíscio a partir da cidade de Afgoye, cujos arredores havia carros patrulha, estudantes e vendedores de um estimulante vegetal.

Era hora de ponta de um dia de trabalho. Portanto, à volta da área em que ocorreu a explosão, havia numerosos carros-patrulha, estudantes e vendedores ambulantes de um estimulante vegetal muito consumido na Somália, disseram diversas testemunhas.

Dezenas de famílias aguardam no exterior dos hospitais Erdogan, Medina e da clínica especializada Kalkaal para saberem do estados dos seus familiares, enquanto o pessoal de saúde pediu à população que doasse sangue.

“A outros pacientes, familiares e até a médicos, enfermeiros e a funcionários do hospital Hospital Erdogan foi pedido que doassem sangue com urgência para ajudar as vítimas. A situação é má”, disse o médico Yahye Ismail logo após ter ocorrido o ataque.

Até ao momento, nenhum grupo terrorista reivindicou a autoria do sucedido, apesar de o grupo jihadista Al Shabad se ter manifestado contra a construção desta estrada. Este ataque é o terceiro mais mortífero da história recente de Mogadíscio, apenas superado pelo de Zoobe e, em outubro de 2011, pela explosão de um suicida, que pertencia ao grupo ‘jihadista’ Al Shabab, e que matou mais de uma centena de pessoas.

“Não me lembro de uma tragédia semelhante desde o ataque ao cruzamento de Zoobe”, disse Amina, referindo-se ao duplo atentado com um camião bomba num mercado da capital que causou 587 mortos a 14 de outubro de 2017.

Mogadíscio sofre frequentemente atentados do Al Shabad, organização terrorista que se filiou em 2012 na rede internacional Al Qaeda e que controla parte do centro e sul da Somália, onde aspira a instaurar um Estado islâmico de cariz wahabi (ultraconservador).

“Envio as minhas mais profundas condolências às famílias e amigos que perderam entes queridos”, disse o Presidente da Somália, Mohamed Abdulahi Farmajo, numa conferência de imprensa na capital do país.

“É claro que os terroristas não deixarão tranquila uma única pessoa neste país. Eles são nossos inimigos e temos que centrar-nos em eliminá-los”, frisou o responsável político.

A Somália vive em estado de conflito e caos desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohamed Siad Barré, o que deixou o país sem governo efetivo e nas mãos de milícias islamitas e senhores da guerra, escreve a agência Efe.

[Atualizado às 17h27 com o mais recente número de vítimas mortais]