A ativista climática sueca Greta Thunberg disse esta segunda-feira à BBC que nunca teria “perdido tempo” a falar com Donald Trump sobre as alterações climáticas quando esteve em Nova Iorque.

Numa entrevista na estação BBC Radio 4, Greta foi questionada sobre o que diria a Trump se os dois tivessem conversado quando se cruzaram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em setembro.

Honestamente, acho que não lhe teria dito nada. Porque obviamente ele não ouve os cientistas e os especialistas. Porque é que me ia ouvir a mim? Provavelmente, não lhe teria dito nada. Não iria perder o meu tempo“, respondeu a ativista.

Greta e Trump não têm interagido diretamente. Mas, há duas semanas, o presidente dos EUA publicou no Twitter uma mensagem dirigida à ativista: “A Greta devia aprender a controlar a sua raiva e ir ver um bom filme antigo com um amigo. Relaxa, Greta, relaxa!

A ativista não respondeu, mas no dia seguinte alterou a sua biografia no Twitter para: “Uma adolescente a trabalhar no seu problema de gestão de raiva. Atualmente a relaxar e a ver um filme à moda antiga com um amigo”.

Antes, tinha protagonizado um episódio semelhante com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, alterando a sua biografia do Twitter para “pirralha” depois de Bolsonaro ter utilizado a palavra para a descrever.

“Penso que significa alguma coisa — que eles estão aterrorizados com os jovens que estão a trazer a mudança que eles não querem —, mas só prova que estamos verdadeiramente a fazer alguma coisa e que eles nos veem como uma ameaça”, disse a jovem ao programa da BBC.

Pais não acreditaram em Greta até o ativismo a curar de uma depressão

No mesmo programa esteve também o pai de Greta, Svante Thunberg, que revelou como inicialmente não concordava com a atitude da filha — que começou a faltar às aulas às sextas-feiras para ficar à porta do parlamento sueco com um cartaz a dizer “greve escolar pelo clima”.

Quando Greta começou com o seu ativismo, o pai considerou que era “uma má ideia”. Porém, reconsiderou quando percebeu que aquela atividade a ajudou a ultrapassar uma depressão.

Ela deixou de falar, deixou de comer, todas essas coisas. Deixou de ir à escola. Basicamente, esteve em casa durante um ano, não comeu durante três meses“, contou Svante Thunberg, descrevendo o tempo em que Greta esteve doente como “o derradeiro pesadelo para um pai”.

Nessa altura, Greta falava apenas com os pais (que deixaram o trabalho para a ajudar em casa), com a irmã e com um professor. Quando disse aos pais que queria ser ativista, eles responderam-lhe que não a apoiariam em algo que a colocasse “na linha da frente num assunto tão grande como as alterações climáticas”.

Mas, a partir do momento em que começou a estar em frente ao parlamento todas as sextas-feiras, Greta voltou a conversar e a comer. “Não consigo explicar a mudança que aquilo representou para ela e para nós”, lembrou o pai. “Passou a fazer coisas que não podia fazer antes.”

O ativismo de Greta levou, a dada altura, os pais a mudar o próprio estilo de vida. O pai tornou-se vegan, a mãe deixou de andar de avião. “Não fiz para salvar o clima, fi-lo para salvar a minha filha“, afirmou Svante Thunberg.