São vários os motivos que aconselham a ter o máximo cuidado quando se pretende conduzir um superdesportivo, com mais de 800 cv, numa estrada gelada ou coberta de neve. Especialmente se estiver equipado com pneus de Verão, bons para asfalto (idealmente seco), mas demasiado largos e sem pregos para lidar com superfícies muito escorregadias. Porém, nenhum deles foi suficiente para levar este condutor a deixar o Ferrari Monza SP2 em casa. Para mais um roadster, sem possibilidade de fechar a capota e proteger quem vai a bordo das temperaturas negativas.

O Monza SP2, bem como o SP1 (distingue-os o facto de possuírem um banco ou dois), é uma série especial produzida pela Ferrari, que pretende honrar as linhas dos saudosos roadsters da marca italiana, como o 166 MM de 1948, que correu nas 24 Horas de Le Mans, ou os 250 Testarossa e os 750 Monza. Apenas 499 unidades vão ser fabricadas, entre o SP1 e o SP2, o que faz disparar o preço do modelo para cerca de 2 milhões de euros, em Portugal.

Esguio e elegante, o Monza SP2 é um autêntico avião, animado pelo 6.5 V12 da casa, que aqui fornece mais 10 cv do que no 812 Superfast, atingindo 820 cv. Isto, aliado a um peso de apenas 1520 kg (o SP1 pesa menos 20 kg por só ter um assento a bordo), permite ao SP2 atingir 300 km/h e ir de 0-100 km/h em 2,9 segundos. Mas nada disto se compara a ver o Ferrari deslizar de um lado para o outro, com um nível de aderência que se aproxima do zero.

Além de ser ser quatro vezes mais caro do que o 812 Superfast, do qual que herda quase tudo, o Monza SP2 é também complicado de reparar – de chapa (ou fibra, para ser mais exacto) ou de chassi, o que necessitará caso embata, mesmo que levemente, naqueles montes de gelo que ladeiam a estrada. Mas isso não impediu o condutor de desafiar as leis da Física, em estradas que pareciam abertas ao público, o que eleva ainda mais o grau de loucura e irresponsabilidade.