“Muito respeitado treinador de guarda-redes, Andrew Sparkes ganhou uma significativa experiência ao longo da sua carreira em clubes impressionantes”. É desta forma que o Southampton apresenta no seu site oficial o membro da estrutura técnica de Ralph Hasenhüttl. Alguém que, em condições normais, seria conhecido no clube, talvez na Premier League mas que, de repente, tornou-se uma figura depois da “pega” com José Mourinho no encontro entre os saints e o Tottenham. Trocado por miúdos, o galês é o “idiota” a que o português se referia.

Ano novo, vida complicada: Mourinho leva amarelo, fica sem Kane e sofre derrota onde nunca tinha perdido

“Detentor de Licença A de treinador de guarda-redes, passou seis anos como chefe da Academia de Guarda-redes do New York Red Bulls, ajudando o clube a ser uma das academias líderes nos Estados Unidos, com reputação de produzir guarda-redes para as seleções nacionais mais jovens”, acrescenta o clube, recordando ainda as passagens por Áustria (Red Bull Salzburg), País de Gales e África do Sul (Orlando Pirates) – sendo que o prestigiado portal Transfermarkt fala ainda numa passagem pela Serra Leoa durante um ano como parte integrante da equipa técnica de Johnny McKinstry, entre 2013 e 214. E tudo isto tendo apenas… 34 anos.

Mas afinal, o que aconteceu na parte final do Southampton-Tottenham, que terminou com o triunfo da equipa da casa por 1-0 naquele que foi o terceiro dos últimos quatro jogos dos londrinos sem vitórias? No momento em que Harry Kane saía agarrado à coxa esquerda no seguimento de um lance onde marcou mas o golo foi invalidado por estar adiantado, o técnico português deslocou-se à área técnica dos saints, disse alguma coisa não percetível a Andrew Sparkes e ficou a olhar para as notas que estava a escrever no caderno.

“Fui rude, mas fui rude com um idiota. Claramente mereci o cartão amarelo, tive palavras feias com a pessoa”, disse José Mourinho sobre a admoestação de Mike Dean na flash interview à BT Sport. “Claro que houve uma razão para fazer aquilo. Não vou dizer o porquê mas claro que por alguma razão tive aquela reação”, acrescentou depois no espaço Match of the Day, citado pela BBC. De acordo com a imprensa britânica, deveriam estar ali algumas “táticas” para que fosse perdido algum tempo também pela ação dos apanha-bolas no St. Mary’s Stadium, como o próprio viria a reconhecer citado pelo The Guardian: “O jogo foi estranho, esteve muito tempo parado porque os apanha-bolas foram bem treinados para retardarem o jogo e não se conseguiu jogar muito”.

Em paralelo, e à semelhança do que já tinha feito antes do Natal, José Mourinho voltou a criticar o VAR, sobretudo a importância crescente que tem vindo a ganhar no futebol. “Na minha opinião, os árbitros não são árbitros. O VAR (Video Assistant Referee) devia mudar de nome, devia ser apenas VR (Video Referee) porque são eles os árbitros. Os árbitros em campo não são os árbitros, são só os assistentes porque quem está no escritório é que toma as grandes decisões. O que sei é que o lance de Dele Alli era penálti e o VAR não interveio. O VAR está a levar-nos numa direção errada, muito errada”, lamentou o treinador português após a derrota.

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De referir que, com o terceiro dos últimos quatro jogos sem vencer na Premier League (e a quarta derrota nos derradeiros oito encontros oficiais), o Tottenham manteve o sexto lugar com 30 pontos, a seis do quarto lugar do Chelsea, mas perdeu uma oportunidade de ouro para aproveitar não só o empate dos blues diante do Brighton mas também a derrota do Manchester United na visita a Londres para defrontar o Arsenal.