A Dacia é a marca que mais cresce dentro do Grupo Renault, com a sua “magia” a consistir em propor veículos robustos e práticos, mas sobretudo baratos. A necessidade de respeitar as limitações às emissões de CO2 impostas por Bruxelas obriga à montagem de mecânicas eléctricas e híbridas numa parte significativa da gama (estima-se que deverá atingir 30% em 2030), com o construtor romeno a preparar-se para cumprir a sua obrigação, mas não de imediato.

De acordo com o chairman da Renault Europa, Philippe Buros, em declarações à Automotive News, a Dacia está pronta a dar o seu contributo para reduzir a média do Grupo Renault no que respeita ao CO2, que deverá ficar abaixo dos 95g por quilómetro nos veículos comercializados durante 2020, para depois voltar a ser reduzida em 2025 e, novamente, em 2030. Mas o construtor, que é um caso de sucesso e conta com vários modelos entre os mais vendidos na Europa, vai ter de esperar um pouco mais até ser capaz de propor veículos electrificados por valores mais baixos do que os seus concorrentes.

Buros explica que, para a Dacia conseguir produzir veículos mais baratos do que a Renault, recorrendo às mesmas plataformas e mecânicas, começa por beneficiar dos menores custos de produção da sua fábrica na Roménia. Mas necessita igualmente de um certo compasso de espera, entre as tecnologias serem disponibilizadas pela marca francesa e por si própria. Tudo para que os custos baixem e o produto se torne mais acessível.

A Renault já entrou na segunda geração do Zoe e prepara-se para começar a propor, este ano, os seus primeiros híbridos (HEV), no Clio e Captur, e híbridos plug-in (PHEV) no Captur e Mégane. Entretanto esta tecnologia, que já está a ser disponibilizada à Nissan, estará em condições de ser oferecida pela Dacia, dentro de dois a três anos, por valores mais acessíveis.

Ainda segundo o chairman do grupo francês, a Dacia não será apenas capaz de propor aos seus clientes modelos electrificados (HEV e PHEV) por valores mais em conta, uma vez que entre 2022 e 2023 deverá surgir também o primeiro modelo 100% eléctrico da marca. E é mais do que provável que este surja com base no já apresentado Renault City K-ZE, um pequeno SUV eléctrico construído especificamente na China e para a China, onde é comercializado pelo equivalente a 7.800€. Mesmo com baterias com maior capacidade e obviamente mais caras, para lhe assegurar uma maior autonomia, o K-ZE com emblema Dacia poderá ser proposto no mercado europeu por cerca de 10.000€. Philippe Buros rotula esta hipótese como “perfeitamente possível”.