“Eu não mudei. A Google mudou”, diz Ross LaJeunesse, antigo responsável para a liberdade de expressão e relações internacionais da Google em entrevista ao Washington Post. Segundo o antigo executivo da empresa, foi afastado em abril porque queria que a Google defendesse mais os Direitos Humanos em países como a China, mas esta deixou de o querer fazer por motivos económicos.

LaJeunesse — que está na corrida para o senado dos EUA pelo estado do Maine — esteve na gigante tecnológica norte-americana desde 2008. Por ser responsável pelas relações internacionais, tinha também como missão gerir o papel da empresa na China, um mercado complicado para a Google.

Em 2010, a Google saiu do país devido aos constantes pedidos do governo para censurar conteúdos no motor de busca. Contudo, em 2017, Ross LaJeunesse descobriu que a empresa estava a tentar voltar ao mercado chinês, mesmo que isso passasse por aceitar uma censura dos conteúdos.

O antigo executivo terá tentado criar um plano para a empresa entrar no mercado chinês que, apesar de ser cativante pelo enorme crescimento que mostrava, levantava questões sobre como o governo quer controlar a população, conta o mesmo jornal. LaJeunesse ainda terá apresentado o plano a Kent Walker, o responsável máximo jurídico da Google, mas, diz o antigo executivo, Walker mostrou-se apreensivo. Segundo o jurista da tecnológica, diz LaJeunesse, um compromisso claro na defesa dos Direitos Humanos podia afetar a Google.

Ao mesmo jornal, depois de confrontada com as alegações do antigo executivo, a empresa afirmou que tem “um compromisso inabalável para apoiar organizações e esforços de Direitos Humanos”. Além disso, disse que a saída de LaJeunesse deveu-se à “reorganização da equipa de políticas e relações públicas “.

Ss tensões na Google têm aumentado desde 2018, depois de ter sido conhecido que a tecnológica estava a trabalhar no projeto Dragonfly, que criaria um motor de pesquisa para a China. “Neste momento, não temos informação necessária para tomar decisões eticamente esclarecidas sobre o nosso trabalho, projetos e emprego”, lia-se numa carta assinada por mais de mil funcionários da Google.