Adrian Hallmak é o CEO da Bentley desde o início de 2018, mas depois de um primeiro ano difícil, onde o fabricante britânico registou prejuízos acima do esperado, liderou a marca de luxo do Grupo VW rumo aos resultados positivos que espera anunciar em breve, relativos a 2019. Mas é em 2020 que Hallmak tem os olhos postos, ano em que, segundo ele, a Bentley espera “obter lucros consideráveis, uma vez que podemos contar agora com o Continental GT Coupé, a versão Convertible e o Flying Spur, que vão iniciar as vendas na China e nos EUA”.

Em entrevista concedida à Automotive News, o CEO explicou que nem só de novos modelos vão viver os resultados da marca. “Reduzimos os custos de funcionamento em 25%”, explicou, para depois avançar que foram igualmente suprimidos 450 postos de trabalho e “reduzido o tempo de paragem em cada estação da linha de montagem de 12 para 9 minutos”, uma redução de 25% que permite incrementar a produção e cortar nos custos.

Em relação ao primeiro veículo 100% eléctrico da marca, Hallmark explica que o seu “lançamento é uma questão de oportunidade de marcado e não uma necessidade de incremento da gama”, o que indicia que a Bentley acredita que há clientes desejosos de adquirir um modelo a bateria. Para tal, o responsável da marca conta com a plataforma PPE do Grupo VW, que está bastante atrasada, como foi avançado por um responsável pela Audi. Contudo, este contratempo não é uma limitação grave para a Bentley, que só deseja avançar quando estiverem disponíveis novas baterias, mais leves e capazes de proporcionar maior autonomia.

Hallmak acredita que as baterias mais sofisticadas e com maior densidade energética “vão estar disponíveis por volta de 2025 e serão 30% mais leves do que as actuais de iões de lítio”. Para dar um exemplo, o actual CEO da Bentley recorda os tempos em que liderou a Jaguar Land Rover, salientando o facto de o Jaguar I-Pace montar um acumulador com 720 kg, que assim poderia ver o seu peso reduzido para apenas 500 kg, ganho que fará uma diferença enorme no comportamento e aceleração.

Quanto às formas do novo veículo, e primeiro eléctrico da Bentley, o CEO louva “a libertação em termos de design que permitem os carros eléctricos”, por possuírem motores muito menos volumosos, o que motiva frentes mais curtas e habitáculos mais generosos. E Hallmak está convencido que a presença das baterias mais pequenas na plataforma nem sequer obriga a conceber exclusivamente SUV, pois vão ser mais pequenas e mais fáceis de acomodar mesmo em coupés desportivos.