A Ordem dos Médicos vai pedir ao Ministério da Saúde que instale botões de pânico para os profissionais usarem caso receiem ser atacados pelos pacientes. Em declarações ao Correio da Manhã, o bastonário Miguel Guimarães diz acreditar que, com esta medida, “as agressões irão diminuir porque as pessoas vão pensar duas vezes antes de agredirem”.

A sugestão da Ordem dos Médicos surge depois de uma médica ter sido atacada por uma utente no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. A mulher, que esperava pela sua vez no Serviço de Urgência, entrou no gabinete da médica e agrediu a médica, puxando-lhe os cabelos e enfiando-lhe um dedo no olho.

Uns dias depois, outro casal de médicos foi atacado no mesmo hospital por um homem de 69 anos que, com queixas de febres altas e à espera de uma consulta no serviço de urgência, questionou a médica sobre o motivo de estar ao telefone. Ela pediu ajuda ao marido, médico no mesmo hospital, mas também ele foi agredido pelo paciente.

Já esta quinta-feira, uma mulher tentou agredir uma médica no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, na Amadora, por ter ficado algumas horas à espera de ser atendida na urgência, conta o Jornal de Notícias. O ataque não se concretizou porque a profissional conseguiu clicar no botão de pânico e chamar um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), que interveio em dois minutos.

Para Miguel Guimarães, casos como estes deviam ser abordados como um crime público e punidos em conformidade: “O utente pode não estar de acordo com uma determinada situação e reclamar, mas não pode agredir”, defendeu o bastonário da Ordem dos Médicos em entrevista ao Correio da Manhã.

No Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, os botões de pânico foram instalados pelo governo de forma experimental em maio de 2019.  Fonte do Amadora-Sintra confirmou ao JN que “este sistema já provou ser eficaz e veio dar mais segurança e confiança aos profissionais, que atendem uma população onde há graves problemas socioeconómicos; e serve de dissuasor para os potenciais agressores”.

Além da Urgência e da Psiquiatria, o hospital também instalou botões de pânico na Pediatria para os “casos de retirada de crianças aos pais”.