Morreu Júlio Castro Caldas, antigo ministro da Defesa entre 1999 e 2001, no governo de António Guterres, confirmou fonte oficial da Ordem dos Advogados ao Observador. Tinha 76 anos. Castro Caldas era advogado e foi também bastonário da Ordem dos Advogados durante cinco anos. Estava internado no Hospital da CUF Infante Santo há várias semanas. Ainda não há informações sobre as cerimónias fúnebres.

Em declarações ao Observador, Menezes Leitão, o atual bastonário, diz que “a classe profissional fica mais pobre” e recorda “a boa disposição” de Castro Caldas e à ligação que sempre manteve com Arcos de Valdevez, onde nasceu a 19 de novembro de 1943.

Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa já apresentou “os mais sinceros sentimentos à família” de Júlio Castro Caldas: “Ao lembrar a antiga amizade, o Presidente da República presta-lhe sentida homenagem”, conclui a nota colocada este sábado no site da Presidência da República.

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, destacou o “enorme intelecto, vasta cultura e afabilidade do trato” do antigo ministro da Defesa e António Costa, primeiro-ministro, descreveu Castro Caldas como um “homem muito generoso” e “sempre dedicado e empenhado politicamente”, notando que “deixa uma enorme saudade”.

Castro Caldas licenciou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1966 e começou a exercer advocacia dois anos depois.

Antes de ser ministro do segundo governo de Guterres, Castro Caldas já tinha sido deputado à Assembleia da República entre 1979 e 1983, eleito pelo PSD no Círculo Eleitoral de Viana do Castelo. Antes, foi consultor jurídico da Junta de Colonização Interna entre 1967 e 1968 e tarefeiro no Secretariado Técnico da Presidência do Conselho de Ministros entre 1969 e 1970.

O antigo governante foi um dos sócios fundados da CLA – Advogados e ainda, no âmbito da advocacia, presidente da Federation dês Barreaux d’Europe (1997-1999), vogal-tesoureiro do Conselho Geral da Ordem dos Advogados (1983/1985) e vogal do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados (1977/1980). Entre novembro de 2001 e 2012, Castro Caldas desempenhou funções como vogal do Conselho Superior do Ministério Público.

Castro Caldas fundou também a associação SEDES e a Sociedade Portuguesa de Arbitragem. Paralelamente, foi membro da Associação portuguesa de Recursos Hídricos e membro da AIDA Portugal – Secção Portuguesa da Associação Internacional do Direito dos Seguros.

Guterres lamenta perda de cidadão exemplar e político ao serviço de valores

O antigo primeiro-ministro António Guterres lamentou a morte de um “companheiro na consolidação da democracia portuguesa”, considerando que “Portugal perde um cidadão exemplar” e “um político ao serviço de valores”. Numa mensagem enviada à agência Lusa, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) mostrou-se “profundamente entristecido com a morte de Júlio Castro Caldas”.

“Meu colega de Governo, ele foi para mim sobretudo um companheiro na consolidação da democracia portuguesa e um amigo”, refere a mesma nota.