Os bolivianos serão novamente chamados às urnas em 3 de maio deste ano para eleger um novo Presidente e vice-presidente e para renovar a Assembleia Legislativa, informou um membro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da Bolívia.

O escrutínio irá acontecer cerca de sete meses depois das anteriores eleições, realizadas em 20 de outubro de 2019, que foram anuladas após denúncias de fraude eleitoral.

As eleições serão realizadas “no primeiro domingo do mês de maio”, afirmou o vogal do TSE, Oscar Hassenteufel, em declarações à comunicação social na cidade de Sucre, capital constitucional e sede deste órgão judicial boliviano.

A convocatória das eleições e o calendário eleitoral serão publicados na próxima segunda-feira, acrescentou Oscar Hassenteufel.

Nas eleições de 20 de outubro, Evo Morales, o primeiro Presidente indígena da Bolívia e que estava no poder desde 2006, foi declarado vencedor para um quarto mandato consecutivo.

O escrutínio, cujos resultados foram anulados, seria marcado por denúncias de fraude por parte da oposição boliviana.

Um relatório da Organização de Estados Americanos (OEA) confirmou que houve “operações dolosas” nas eleições de outubro, ações que, segundo a entidade, alteraram “a vontade expressa nas urnas”.

Evo Morales acabaria por renunciar ao cargo em 10 de novembro após três semanas de protestos contra a sua reeleição liderados pela oposição e depois de ter perdido o apoio do exército e da polícia.

O ex-Presidente boliviano, que denunciou então a proclamação da senadora Jeanine Añez como Presidente interina como um “golpe de Estado”, seguiria depois para o México como exilado político.

Atualmente, Evo Morales está na Argentina, onde recebeu o estatuto de refugiado.

No passado dia 18 de dezembro, o Ministério Público boliviano emitiu um mandado de detenção contra Evo Morales, no âmbito de uma investigação em curso por sedição e terrorismo.