Se dúvidas ainda existissem, o arranque da 12.ª jornada do Campeonato de hóquei em patins acabou por ser mais uma confirmação do equilíbrio que tem vindo a marcar a prova desde início: o Óquei de Barcelos, que podia terminar a ronda isolado, não foi além de um empate com o HC Braga (num jogo polémico, com agressões e vermelhos à mistura) e ficou nos 29 pontos; a Oliveirense, que podia saltar para a liderança isolada à condição, não passou também de uma igualdade frente ao Riba d’Ave e permaneceu nos 28 pontos, os mesmos do que Benfica e Sporting. O dérbi da Luz ganhava mais um aliciante – quem vencesse tinha o primeiro lugar garantido.

Os encarnados, que começaram o Campeonato com cinco triunfos seguidos, empataram depois em Braga e saíram derrotados no Dragão frente ao FC Porto, voltando depois à senda de vitórias num percurso muito semelhante ao dos verde e brancos que perderem em Alvalade com o Óquei de Barcelos e não foram além de uma igualdade logo a seguir com a Sanjoanense. Era neste contexto que chegava o dérbi na Luz, o primeiro da temporada e com as águias a tentarem inverter uma série de cinco jogos seguidos sem vencer os rivais no Campeonato, a começar no polémico 5-5 na última ronda de 2016/17 que deu o título ao FC Porto e a ter prolongamento nas épocas seguintes de 2017/18 (3-3 em Alvalade, 7-4 na Luz) e de 2018/19 (3-3 em Alvalade, 4-1 na Luz).

Antes desse triunfo verde e branco na Luz em 2018, era preciso recuar à última jornada da longínqua época de 1987/88 para se ver um triunfo dos visitantes. E depois desse 7-4 houve ainda o 4-1 da última temporada. Todavia, esta tarde tudo foi diferente e os encarnados conseguiram repor o histórico de triunfos caseiros no dérbi, vencendo por 6-3 e passando a liderar de forma isolada a classificação quase no final da primeira volta.

E para quem pensasse que os primeiros minutos seriam sobretudo de encaixe e adaptação ao adversário, a verdade é que ainda existiam pessoas a entrar no Pavilhão da Luz e já se festejavam golos: Ferrant Font desviou para a própria baliza um passe de Carlos Nicolía para Lucas Ordoñez e deu vantagem aos encarnados com apenas 55 segundos de jogo, Girão evitou logo no minuto seguinte o 2-0 com uma grande defesa e Gonzalo Romero, depois de uma assistência de Pedro Gil, desviou de Pedro Henriques com classe para o empate (4′). Um grande arranque e com as habituais quezílias típicas de dérbi a surgirem desde cedo, neste caso entre Font e Nicolía, antes de um período de maior acalmia antes da primeira paragem técnica de Alejandro Domínguez.

As duas equipas tentavam manter o rigor nas transições defensivas para evitarem contra-ataques em inferioridade numérica mas as oportunidades foram-se sucedendo nas duas balizas, com os dois guarda-redes internacionais portugueses, Ângelo Girão e Pedro Henriques, a acumularem várias defesas “impossíveis” que iam mantendo o jogo empatado a um, havendo pelo meio uma grande penalidade de Toni Pérez travada pelo guarda-redes das águias (13′) e um remate à trave de Edu Lamas (19′). A acabar, mais dois penáltis falhados por Ferrant Font (ao lado) e Carlos Nicolía (ao poste) voltaram a não conseguir mexer no resultado até ao intervalo.

No segundo tempo, Benfica e Sporting voltaram a entrar a todo o gás com oportunidades repartidas antes do 2-1 para os encarnados em mais um lance muito confuso com o golo atribuído a Jordi Adroher após uma carambola em Toni Pérez, que ficou a reclamar a par de Girão que a bola não tinha passado a linha de baliza (29′), mas seria um cenário que demoraria pouco mais do que um minuto, com Pérez a empatar após assistência de Pedro Gil (30′) já depois de Pedro Henriques ter defendido mais uma grande penalidade dos leões, desta feita por Caio. Bola cá, bola lá até surgir a magia de Lucas Ordoñez a desequilibrar com um grande lance que fez o 3-2 (33′).

Os ânimos voltaram a aquecer após uma jogada entre Nicolía e Font que deixou o banco verde e branco a pedir um cartão azul ou vermelho ao avançado argentino do Benfica e seria do número 5 dos encarnados que nasceria o 4-2 que mudaria a história da partida, com Romero a fazer falta sobre o compatriota na área e Valter Neves a marcar pela primeira vez uma grande penalidade no jogo, dando outro conforto ao Benfica no jogo (35′). Adroher, de livre direto após a décima falta dos leões, aumentou a vantagem para 5-2 (42′) e o máximo que o Sporting conseguiu foi reduzir a quatro minutos de final por Pedro Gil já depois de Font ter falhado mais um livre direto e antes do 6-3 final apontado por Ordoñez após cartão azul a Alessandro Verona (49′).