O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou hoje o início do envio de soldados turcos para a Líbia, depois da luz verde dada pelo parlamento turco na semana passada.

“A missão dos nossos soldados é a coordenação (…). Os nossos soldados estão a ser enviados progressivamente”, disse Erdogan em declarações à CNN turca.

A Rússia pediu uma reunião à porta fechada do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia, que se realiza na segunda-feira, a primeira oportunidade para os membros falarem sobre o controverso acordo concluído no final de novembro entre Tripoli e Ancara, disseram fontes diplomáticas, citadas pela agência de notícias AFP.

Formalmente, o pedido de Moscovo diz respeito a uma conferência internacional sobre a Líbia que a Alemanha deve organizar em Berlim antes do fim do mês. Nenhuma data foi ainda anunciada.

Mas segundo os diplomatas também devem ser abordados os duplos acordos, que preveem o envio de tropas turcas para a Líbia para apoiar Tripoli, que hoje começou, e as facilidades marítimas com as quais Ancara pode estender as suas fronteiras marítimas no Mediterrâneo oriental (o que não é bem visto pela Grécia, Egito, Chipre e Israel).

A intensificação do conflito entre o Governo de Unidade Nacional (GNA) em Tripoli e o homem forte do leste do país, o marechal Khalifa Haftar, que procura conquistar a capital líbia desde abril, também deve ser um assunto a abordar na reunião.

E admite-se ainda que seja debatido o envolvimento, desde há alguns meses, de mercenários russos em solo líbio, em apoio do marechal Haftar. A Rússia negou qualquer responsabilidade nesta matéria.

Depois do acordo militar entre Ancara e Tripoli, o parlamento turco aprovou na semana passada uma moção que permite ao Presidente turco enviar soldados para a Líbia, o que começou hoje com o anúncio de Erdogan.

Nas últimas semanas a Grécia, o Egito e o Chipre, em particular, enviaram cartas à ONU para denunciar o acordo marítimo entre Ancara e Tripoli, que estende o controlo da Turquia a uma área contendo depósitos significativos de hidrocarbonetos.

Alguns desses países têm pressionado a ONU a não reconhecer o acordo. Na sexta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse em comunicado que “qualquer apoio estrangeiro” às partes em conflito na Líbia “apenas agravará” a situação.