Seis jogos, quatro equipas, três empates e outras tantas derrotas, apenas dois golos marcados. Sérgio Conceição tinha tudo menos um saldo positivo nas deslocações como treinador ao Estádio José Alvalade mas na noite em que o FC Porto quebrou um jejum de 11 anos sem vencer no reduto dos leões também o técnico ganhou pela primeira vez fora o Sporting, num triunfo por 2-1 com golos de Marega e Soares que manteve os quatro pontos de diferença em relação à liderança do Benfica mas “cavou” um fosso de 12 pontos sobre os verde e brancos.

A revolta dos descamisados acabou com Soares a festejar sem camisola (a crónica do Sporting-FC Porto)

Em paralelo, e após um triunfo que considerou justo, Sérgio Conceição viu os dragões retomarem o trajeto positivo na condição de visitantes, após a derrota logo a abrir o Campeonato em Barcelos e dos empates no Jamor diante do Marítimo e do Belenenses SAD que tiraram os únicos sete pontos na prova até ao momento.

“Primeiro tenho de dar os parabéns às três equipas, porque foi um jogo sem casos. Foram três equipas que nível altíssimo além do público dos dois clubes, em especial os adeptos do FC Porto que acreditaram sempre até ao fim. Sobre o jogo, entrámos bem, a tentar explorar algumas debilidades do Sporting e o primeiro golo nasceu disso mesmo, da exploração de uma diagonal no posicionamento entre lateral direito e central, neste caso entre Ristovski e Coates. Depois fomos controlando o jogo até ao golo que sofremos quase em cima do intervalo, um golo que sofremos devido a um erro que cometemos”, começou por comentar na flash interview da SportTV.

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“O Sporting criou depois duas ou três ocasiões nos primeiros 20 minutos da segunda parte mas os campeões também de fazem destes momentos de alguma sorte. Senti que o Nakajima já estava a acusar alguma fadiga, mexemos aí com o Marega na direita, o Luis Díaz na esquerda e o Otávio no meio. Foi nesse ponto que ganhámos o jogo, pelas características dos jogadores e como interpretaram na perfeição o que pretendia. Houve o 2-1, criámos três ou quatro ocasiões e fomos justos vencedores no jogo mais exigente da época”, acrescentou.

“Tivemos de sofrer mas percebemos o porquê de estarmos a sofrer. Era importante chegar à baliza adversária e com essa passagem do Otávio para o corredor central melhorámos muito e bloqueámos o que o Sporting queria. Mudámos uma ou duas peças e ganhámos aí o jogo”, destacou mais uma vez o treinador dos azuis e brancos, antes de assumir que o FC Porto “pretende seguir o seu trajeto e caminho”. “As distâncias para este rival são maiores mas não olhamos para quem vem atrás mas sim quem vai à frente, neste caso o Benfica. Como se viu em Guimarães, onde o Vitória fez um grande jogo, não vai ser o Campeonato fácil”, frisou.

Com este triunfo, Sérgio Conceição tornou-se também apenas o quinto treinador a ganhar na mesma temporada para a Primeira Liga na Luz e em Alvalade, depois de José Mourinho (2002/03), António Oliveira (1996/97), Carlos Alberto Silva (1991/92) e Janos Kalmar (1962/63). À exceção do húngaro, o primeiro a alcançar o feito na década de 60, todos os restantes técnicos conseguiram ser campeões após alcançarem o feito.