Em Abril, as relações entre a Tesla, a dona da Gigafactory 1, e a Panasonic, parceiro da marca americana nas baterias e fornecedor em exclusivo para os modelos fabricados nos EUA, não estavam a atravessar um bom momento. A Panasonic queria que o construtor investisse para incrementar a produção, a que a Tesla respondeu que não investiria nem mais um dólar até que fossem atingidos os 35 GWh.

A Gigafactory 1 foi projectada para atingir, de forma faseada e acompanhada de pequenos incrementos no investimento, até 50 GWh e, posteriormente, 100 GWh. Mas nas condições que existiam na primeira metade de 2019, em que deveriam sair da linha 35 GWh de pequenas células 2170 cilíndricas, a fábrica não ultrapassava 23 GWh. A Panasonic chegou a importar as 2170 (e as 18650 dos Model S e X) directamente do Japão para garantir que a Tesla possuía a quantidade suficiente para abastecer os Model S, X e 3 então fabricados.

Ao que tudo indica, a Panasonic chegou ao final do ano com os estrangulamentos da linha de fabrico ultrapassados e com o ritmo de produção há muito desejado de 35 GWh. Para o conseguir, os japoneses contrataram engenheiros químicos, oriundos de sectores fora dos acumuladores, que depois receberam treino na fábrica, para se adaptarem às necessidades específicas das baterias de iões de lítio. Fruto desta estratégia, a Panasonic diz agora saber como atingir 54 GWh.

Hoje são 3000 os funcionários que trabalham na linha de produção, com a ajuda de 200 técnicos japoneses que se deslocaram para os EUA, onde mantêm a Gigafactory a funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano. Numas contas rápidas, 35 GWh por ano equivale a cerca de 540 mil  veículos, se equipados com um pack médio de 65 kWh, ou 830 mil com uma produção de 54 GWh. Ou seja, muito mais do que os cerca de 400 mil veículos que a marca hoje produz. O excesso de células irá para as baterias estacionárias que a Tesla também fabrica, sejam elas para acumular energia em casa ou para estabilizar as redes eléctricas.