A NATO anunciou esta terça-feira a retirada temporária de parte da sua força do Iraque, depois de ter suspendido a sua missão de treino de militares iraquianos, no meio da escalada de tensão no Médio Oriente.

“Estamos a tomar todas as precauções necessárias para proteger o nosso pessoal. Isso inclui o reposicionamento temporário de parte dos funcionários em diferentes lugares, dentro e fora do Iraque”, disse um responsável da NATO, citado em comunicado. O mesmo responsável acrescentou que a NATO vai manter “uma presença no Iraque”.

A NATO já tinha anunciado a suspensão da missão de treino de soldados do Iraque, em sintonia com a posição das forças armadas norte-americanas, que decidiram terminar esse programa, para concentrar os seus esforços na proteção das suas instalações na região.

O anúncio acontece dias depois de um ataque aéreo ordenado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que matou Qassem Soleimani, um alto comandante militar iraniano, em Bagdad, e espoletou uma escalada de tensão no Médio Oriente, com o Irão a prometer ações de retaliação contra os Estados Unidos.

No mesmo ataque que vitimou Soleimani, morreu também o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular (Hachd al-Chaabi), além de outras oito pessoas.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e só terminou quando Donald Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O Irão prometeu vingança e anunciou no domingo que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015 com os cinco países com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas — Rússia, França, Reino Unido, China e EUA — mais a Alemanha, e que visava restringir a capacidade iraniana de desenvolvimento de armas nucleares. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018.

No Iraque, o parlamento aprovou uma resolução em que pede ao governo para rasgar o acordo com os EUA, estabelecido em 2016, no qual Washington se compromete a ajudar na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico e que justifica a presença de cerca de 5.200 militares norte-americanos no território iraquiano.