Os trabalhadores da Plural Entertainment iniciam esta terça-feira uma greve parcial devido ao “incumprimento do acordo firmado no ano passado” entre aquela empresa de criação de conteúdos televisivos e o CENA-STE, anunciou o sindicato. A produtora é detida pela Media Capital, empresa que está em fase avançada de venda à Cofina.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), num comunicado divulgado, os trabalhadores da Plural Entertainment realizam entre esta terça-feira e sexta-feira e no dia 13 deste mês uma “greve diária à oitava hora de trabalho”.

O sindicato explica que esta paralisação é “consequência direta e inevitável do incumprimento do acordo firmado pelo grupo Plural Entertainment com o CENA-STE em 2019, por parte do primeiro”.

O CENA-STE recorda que os trabalhadores daquela responsável pelas telenovelas da TVI “não auferem de aumentos significativos há 15 anos”.

“Apesar de o CENA-STE, até ao final da manhã de dia 6 de janeiro de 2020, aspirar por um acordo satisfatório a ambas as partes, a administração do grupo mostrou-se indisponível para considerar as propostas emanadas do plenário de trabalhadores, mantendo-se irredutível na desvinculação dos termos por ela própria subscritos e firmados em 2019”, lê-se no comunicado divulgado.

A Lusa tentou obter esclarecimentos da administração do Grupo Plural Entertainment (GPE), mas até ao momento tal não foi possível.

Em março do ano passado, foi formalizado e assinado o acordo entre o GPE e o CENA-STE “para a melhoria das condições de trabalho e salariais” ainda em 2019 dos trabalhadores daquela empresa de criação de conteúdos televisivos.

O acordo entre os trabalhadores e a administração do GPE tinha sido alcançado no final de 2018, depois de, de acordo com o CENA-STE na altura, a empresa “ter aproximado a sua proposta às reivindicações” laborais.

O acordo, anunciou na altura o sindicato, prevê “a redução gradual do horário máximo de trabalho, devolvendo quase 500 horas por ano aos trabalhadores”, bem como “aumentos salariais escalonados beneficiando os trabalhadores com salários mais baixos”.

Além disso, estava previsto também que em 2019 as negociações continuariam “para que em 2020 e anos seguintes se continuem a recuperar direitos dos trabalhadores e se otimize a necessária reorganização da empresa com o objetivo de atingir as oito horas de trabalho diário”.

No acordo ficou também firmada a “garantia de que os trabalhadores freelancers não serão prejudicados pela sua intervenção sindical”.

Os trabalhadores do GPE realizaram entre 3 e 10 de dezembro de 2018 uma greve parcial, em reivindicação por melhores condições de trabalho. Uma das reivindicações dos trabalhadores era “a redução do Período Normal de Trabalho”, que atingia as 11 horas de trabalho, “durante a maioria dos dias da semana, do mês e do ano”.