João Gomes Cravinho, não se quis alongar sobre o que disse Donald Trump, mas deixou uma mensagem de apelo ao fim da tensão entre o Irão e os Estados Unidos. “Ficamos sempre satisfeitos quando há discursos e não ataques”, considerou o ministro da defesa.

“É sempre mais positivo falar do que combater. É positivo que não tenha havido mais mísseis. Obviamente nós condenamos o ataque desta madrugada”, disse ainda o ministro.

João Gomes Cravinho apela à contenção para que “que não haja atitudes que possam provocar uma escalada” na tensão entre os dois países porque “o caminho para a estabilidade no Médio Oriente exige diálogo e diplomacia”.

“Não houve nenhuma alteração, desde hoje de manhã, em relação às condições objetivas de vida” dos 34 militares portugueses no Iraque. João Gomes Cravinho voltou a assegurar que estão a ser verificadas as condições para retomar a missão de formação.

“Se não houver condições para desempenhar a missão pela qual foram enviados para o Iraque, naturalmente serão retirados. Mas ainda estamos longe de chegar a esse tipo de decisão”, confirma o ministro.

Ministro quer medidas para aproximar os jovens do serviço militar

O ministro da defesa falou à margem da cerimónia da 16ª edição do Dia da Defesa Nacional, em Vila Nova de Gaia, onde foram apresentados os resultados de um estudo de inquérito desenvolvido durante os 15 anos de existência deste dia, inaugurado em 2004, depois finda a obrigatoriedade do serviço militar em Portugal.

Entre os resultados obtidos, salta à vista o facto de apenas 6,4% dos inquiridos considerar que deveria ser obrigatório o serviço militar. No entanto, 71% considera que o Dia da Defesa Nacional deve ser obrigatório.

Quanto maior é a escolaridade dos inquiridos, menor o interesse em ingressar numa das forças armadas, sendo que, destas, o exército continua a ser a mais requisitada.

55% dos jovens de 18 anos que responderam, ao longo destes 15 anos, aos inquéritos sobre o Dia da Defesa Nacional consideram gostariam de passar uma semana numa unidade militar, para ter mais contacto com o dia a dia da profissão.

“Os dados são muito bons”, considera João Gomes Cravinho, mas falta dar mais oportunidades aos curiosos de terem contacto com a vida militar, “porque, pelas indicações que temos, quando sabem mais até gostam mais das forças armadas”.

Por isso, o ministro diz que está “a trabalhar num modelo para que os jovens que queiram, sempre numa base voluntária, possam pernoitar numa instituição militar, possam assistir a treinos das nossas forças armadas, possam até ter uma experiência de uma semana”.

Estas experiências mais aprofundadas, em regime de voluntariado, podem ser disponibilizadas já desde o segundo semestre deste ano, assegura o ministro.