A polícia civil do estado brasileiro de São Paulo anunciou esta quarta-feira que deteve o suspeito de ter ateado fogo a um sem-abrigo, na madrugada de domingo, e que acabou por morrer com 70% do corpo queimado.

“Polícias civis identificaram o homem responsável pela morte de Carlos Roberto Vieira da Silva, após ter o corpo incendiado, na noite de domingo, na Mooca [bairro de São Paulo]. O autor foi detido na madrugada de hoje e teve o pedido de prisão temporária acatado pela Justiça”, informaram as autoridades na sua página da Internet.

Carlos Vieira da Silva, um sem-abrigo de 39 anos, morreu no domingo, após alegadamente um transeunte lhe ter ateado fogo enquanto dormia, numa rua de São Paulo, tendo ficado com 70% do corpo queimado.

Segundo vídeos de câmaras de vigilância a que a polícia teve acesso, e divulgados pela imprensa local, é visível uma pessoa vestida com roupas escuras a movimentar-se na área onde o sem-abrigo se encontrava a dormir.

Em seguida, há o que parece ser uma explosão e o suspeito foge a correr, enquanto o homem de 39 anos se levanta em chamas. Várias pessoas que passavam no local acorreram para apagar o fogo, segundos depois.

Próximo do lugar do alegado crime foi encontrado um galão (recipiente) de combustível, que foi apreendido para investigação, segundo as autoridades.

O homem foi socorrido, ainda consciente, com queimaduras de segundo e terceiro graus durante a madrugada pelo Corpo de Bombeiros, mas acabou por morrer na segunda-feira. Antes de sucumbir aos ferimentos, o homem afirmou à polícia não saber quem lhe ateou fogo porque dormia no momento no ataque.

Os investigadores conseguiram identificar o suspeito com o auxílio de novas imagens de câmaras de segurança e depoimentos de testemunhas. Segundo as autoridades, também o suspeito é sem-abrigo, e irá responder pelo crime de homicídio doloso.

Os delegados que investigam o caso informaram que o suspeito assumiu a autoria do crime, mas a investigação irá prosseguir, segundo a imprensa local.

Os agentes procuram a motivação do crime. O suspeito afirmou que ateou fogo em Carlos Vieira da Silva, porque lhe teria roubado 10 mil reais (2.200 euros) em dinheiro vivo. No entanto, a polícia declarou à imprensa não acreditar na versão apresentada.

“O alegado motivo não foi cruel, foi crudelíssimo. Ele transcendeu qualquer aceitação humana ao atear fogo em alguém. Os requintes com os quais agiu são absolutamente inaceitáveis”, declarou ao jornal O Globo o delegado Glaucus Vinicius Silva, responsável pelo caso.