O primeiro-ministro cabo-verdiano disse esta quarta-feira que não há razões para as manifestações marcadas para dois dias diferentes por sindicatos da mesma família, destacando que há mais empregos, mais rendimento e melhores condições de vida para as famílias.

A primeira manifestação, marcada para sábado, será organizada pela União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos — Central Sindical (UNTC-CS), a maior central sindical do país.

Dois dias depois, 13 sindicatos, 12 deles filiados na UNTC-CS, vão também sair às ruas em todo o país, não só para chamarem atenção para a situação sócio-laboral no país, mas também em desacordo com as decisões da secretaria-geral da maior central sindical do país.

A recomposição do poder de compra e melhoria das condições laborais são duas das reivindicações de todos os sindicatos, que exigem ao governo o cumprimentos dos compromissos assumidos com os trabalhadores cabo-verdianos.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse, durante um ato na cidade da Praia, que não comenta manifestações dos sindicatos, sublinhando que o país vive em democracia e em liberdade e que “cada um faz o que entende como motivação própria, com legitimidade”.

O que eu acho é que não é pelo facto de se estarem a suportar nesta ideia de atualização salarial que conseguem convencer os cabo-verdianos sobre a bondade da manifestação”, referiu o chefe do governo.

“Poderá haverá outras razões, mas o que é sentido, mensurável e evidente em Cabo Verde é que o rendimento das famílias aumentou, o rendimento dos funcionários da Administração Pública de uma forma geral e em termos médios aumentou, há um aumento da massa salarial também dos trabalhadores por conta de outrem, talvez [haja] outros motivos que possam estar por detrás das manifestações, mas cada um faz aquilo que entende”, reforçou o primeiro-ministro.

Ulisses Correia e Silva afirmou ainda que o país está a crescer “cinco vezes mais”, com “mais empregos, mais rendimento e melhores condições de vida para as famílias cabo-verdianas”.

“A nossa meta é crescer 7% em média anual, o que vai criar melhores condições para a redução da pobreza e das desigualdades sociais e criar uma dinâmica positiva”, prosseguiu o chefe do Governo, lembrando que houve um aumento salarial acordado em concertação social.

Também disse que houve várias medidas de políticas e de investimento para permitir várias regularizações com impacto no aumento da massa salarial da Administração Pública, assim como tiveram atualização salarial aqueles que não foram abrangidos por estas regularizações.

“A análise deve ser feita baseada na realidade e nos impactos que temos hoje. O aumento do salário médio por contra de outrem e o aumento da massa salarial da Administração Pública”, enfatizou.

Na manifestação da UNTC-CS, a concentração vai ser em frente ao antigo centro social 1.º de maio, na Fazenda, com os manifestantes a percorrerem a principal avenida da cidade da Praia até ao largo do Estádio da Várzea, em frente ao Palácio do Governo.

Dois dias depois, os outros sindicatos também têm concentração marcada para a Fazenda, e vão percorrer algumas ruas, passando pelo Palácio do Governo, e terminam em frente ao palácio da Assembleia Nacional, em Achada de Santo António, onde vai estar a decorrer a sessão solene comemorativa do 13 de janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia.