Empresas como a Uber e plataformas de táxis estão entre as que já manifestaram interesse em ter pequenas embarcações de transporte de passageiros sem hora marcada entre Lisboa e a margem sul do Tejo, segundo um projeto esta quarta-feira apresentado.

O projeto de criação da Rede Cais do Tejo sairá de uma proposta concreta a apresentar à Câmara Municipal de Lisboa (CML) pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL) até ao final de março, que deve incluir um plano de negócios e uma proposta de financiamento e calendarização, segundo o protocolo esta quarta-feira assinado.

Turismo de Lisboa vai apresentar até fim de março proposta para táxis fluviais no Tejo

“Aqui o conceito é o mais importante, que é nós virmos a dispor nas margens Norte e Sul do Tejo de condições para que os operadores possam desenvolver os seus vários tipos de negócios e as suas ideias, porque todos nós dizemos há muitos anos que o Tejo tem um potencial enorme, mas que não é aproveitado suficientemente. Isso é verdade”, disse Vítor Costa, diretor da ATL.

A vereadora Teresa Leal Coelho, de quem partiu a ideia, disse esperar, no próximo verão, já ir de barco táxi até à praia de São João, na Costa de Caparica, a partir de Porto Brandão, mas Vítor Costa não se compromete com uma data, porque o processo de recuperação dos cais deverá ser progressivo, já que nalguns serão necessárias pequenas intervenções e noutros obras de fundo.

No que ambos concordam é que já existem muitas manifestações de interesse de empresários.

“Já temos interessados. Já tivemos uma primeira conversa com a Uber, que, depois de reuniões internas, nos manifestou a disponibilidade para criar a plataforma. É uma coisa simples. O modelo está criado e só adaptá-lo para os transportes fluviais. Também já tivemos manifestação de interesse de plataformas de táxis e depois serão aqueles que se vão inscrever com as suas próprias embarcações”, afirmou Teresa Leal Coelho.

Também Vítor Costa realçou que a ideia levou a bastantes manifestações de interesse por parte dos associados da ATL nesta área.

“A vários níveis. São projetos de desenvolvimento das operações ou de passeios ou de táxis-barco. Já há algumas ideias, mas nós [a ATL] aqui não estamos a entrar num negócio. A nossa competência não é essa. A nossa intenção é criar condições para que os projetos se desenvolvam. São as empresas que vão fazer”, acrescentou.

“Até agora, quando alguém queria montar um negócio ligado, por exemplo, à marítima ou turística tinha que arranjar uma infraestrutura só para si (…) Aquilo que nós aqui estamos a ganhar é massa crítica. É utilizar [uma infraestrutura] por todos um pouco, como — mal comparado, dada a dimensão — uma slot no aeroporto, em que uma pista não é usada só por uma companhia, mas por todas. É isso que nós vamos fazer. Isso dá uma capacidade muito maior e baixa o custo de utilização”, explicou.

Na proposta que a ATL irá entregar à Câmara de Lisboa estará incluída também uma parte financeira.

Ainda sem valores, nem percentagens de comparticipação, Vítor Costa salientou que “o Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, que resulta das taxas turísticas, e também alguma parte do orçamento do Turismo de Lisboa, que depois vai ficar a coordenar” a rede, “certamente serão fontes que irão contribuir para esse projeto”.

O projeto Rede Cais do Tejo prevê a instalação, reabilitação, adaptação e utilização progressiva de 13 pontos e cais de acostagem para incentivar “a utilização do rio como meio de transporte público ou privado, turístico e de lazer, coletivo ou individual”.

A central da Rede Cais do Tejo será na Estação Sul e Sueste, no Cais de Lisboa, cujo projeto foi apresentado no final e novembro.

Estão previstos quatro cais principais: em Belém, Parque das Nações, Montijo e Cacilhas, e um projeto especial para o Cais da Matinha e sete cais complementares no Cais do Gás, Alcântara, Ginjal, Trafaria, Porto Brandão, Seixal e Barreiro, acrescentou a autarquia.

Além da CML e da ATL, são parceiras neste projeto a Administração Porto de Lisboa e a Transtejo.