“Dark Waters — Verdade Envenenada”

Mark Ruffalo é produtor executivo deste filme e interpreta o papel de Robert Bilott, um advogado que durante anos enfrentou uma poderosa empresa de químicos, que não só contaminou águas, terrenos e pessoas, incluindo funcionários seus, no estado da Virgínia, como ocultou os resultados alarmantes dos estudos que levou a cabo sobre o fenómeno. Realizado por Todd Haynes, “Dark Waters-Verdade Envenenada” inscreve-se na tradição do cinema “liberal” de denúncia social e política de Hollywood, no qual se distinguiram nomes como Sydney Pollack ou Alan J. Pakula, embora não traga nada de novo ao formato e peque pelo excesso de diligência, pela repetição demonstrativa e por exagero de catastrofismo. E não reconhecemos neste anónimo teledramático arvorado em cinema, o Todd Haynes de “Seguro”, “Velvet Goldmine” e “Não Estou Aí”.

“A Ilha dos Silvos”

Um policial deliciosamente excêntrico do romeno Corneliu Porumboiu, rodado em Bucareste e numa das ilhas das Canárias, onde existe uma ancestral linguagem assobiada, conhecida por “El silbo”, e que é fulcral para o enredo do filme. A história de “A Ilha dos Silvos” contempla todas as convenções do policial clássico, da mulher fatal à fortuna em dinheiro escondida por um malfeitor, passando pelos polícias e magistrados corruptos, a que é acrescentado o elemento completamente insólito da linguagem assobiada. Porumboiu realiza como nos habituou: nem sombra de espalhafato estilístico, uma circunspeção em tudo económica mas nem por isso menos eficaz, e algum humor discreto, a que acrescenta aqui várias piscadelas de olho cinéfilas que encaixam muito bem na narrativa. Uma co-produção europeia como precisamos mais.

“A Despedida”

A realizadora sino-americana Lulu Wang assina este filme muito autobiográfico, sobre uma família chinesa que oculta à sua matriarca que está com cancro e apressa o casamento do neto desta, para que todos os membros do agregado, até os que vivem nos EUA, possam estar com ela uma última vez. A jovem Billi, que cresceu nos EUA, para onde os pais se mudaram há 25 anos, fica espantada com esta decisão, e apesar dos pais a proibirem de viajar com eles para a China, por medo de que ela não consiga conter as suas emoções, aparece em casa da avó, em Changchun, onde o resto da família a consegue convencer a não dar com a língua nos dentes. “A Despedida” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.