A maior central sindical cabo-verdiana está dividida e cada uma das partes vai realizar a sua manifestação, com uma diferença de dois dias, para exigir melhores condições laborais, mas o Governo entende não haver razões para os protestos.

A primeira manifestação está marcada para sábado, e será organizada pela União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos — Central Sindical (UNTC-CS), a maior central sindical do país.

Dois dias depois, 13 sindicatos, 12 deles filiados na UNTC-CS, vão também sair às ruas em todo o país, não só para chamarem a atenção para a situação sócio laboral no país, mas também em discórdia com a maior central sindical.

A secretária-geral da UNTC-CS, Joaquina Almeida, informou que só na semana passada deu a indicação do dia da realização da manifestação, mas que já tinha convidado todos os sindicatos da ilha de Santiago para se reunirem e decidirem a ação reivindicativa em conjunto. Para a secretária-geral, todas as manifestações dos trabalhadores têm razão de existir e serão sempre apoiadas pela central sindical.

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Financeiras (STIF) de Cabo Verde, Aníbal Borges, disse que a manifestação da UNTC-CS, onde é filiado, é uma “fuga em frente” e um “sinal de desespero” por parte da maior central sindical do país. O sindicalista, que anunciou a manifestação em dezembro, salientou ainda que a UNTC-CS “se sentiu ultrapassada e desautorizada” pela esmagadora maioria dos sindicatos nela filiados.

Recomposição do poder de compra, despedimentos sem justa causa, promoções baseados em favores políticos e nepotismo, assédios nos locais de trabalho, incumprimentos dos acordos rubricados na concertação social, são alguns dos motivos que levam a UNTC-CS a sair à rua.

Os oito sindicatos de Santiago também exigem a “reposição imediata” do poder de compra, mas igualmente o cumprimento dos compromissos assumidos com os trabalhadores, e que constam do Programa do Governo, e redução de impostos.

Também querem a diminuição do desemprego, sobretudo jovem, reposição dos direitos retirados aos segurados, diminuição da idade da reforma dos trabalhadores marítimos para 60 anos, instalação urgente do Juízo do Trabalho em São Vicente e reforço e implementação da Inspeção Geral do Trabalho e da Direção Geral do Trabalho (DGT) em Santo Antão, Boavista e Fogo.

A manifestação da UNTC-CS será realizada na ilha de Santiago e a concentração vai ser no sábado, às 10h00 locais (mais uma em Lisboa), em frente ao antigo centro social 1º de maio, na Fazenda, com concentração final no largo do Estádio da Várzea, em frente ao Palácio do Governo.

A UNT-CS, com mais de 40 anos, é a maior central sindical cabo-verdiana e junta 21 sindicatos, sendo três de âmbito nacional e mais de 35 mil membros inscritos.

A manifestação dos outros sindicatos tem âmbito nacional e, na ilha de Santiago, a concentração será na Fazenda, à 09h00, e vai percorrer algumas ruas, passando pelo Palácio do Governo. O protesto terminam em frente à Assembleia Nacional, em Achada de Santo António, onde vai estar a decorrer a sessão solene comemorativa do 13 de janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, considerou que não há razões para as manifestações e apontou que o seu Governo tem criado para mais empregos, mais rendimento e tem melhorado as melhores condições de vida das famílias.

O chefe do Governo sublinhou o direito dos sindicatos, mas disse que não é suportando a reivindicação na atualização salarial que os sindicatos conseguem convencer os cabo-verdianos da bondade da manifestação.