Dezenas de milhares de iraquianos manifestaram-se esta sexta-feira em Bagdade e em outras nove províncias do centro e sul do Iraque para mostrar a sua rejeição aos recentes ataques dos Estados Unidos e do Irão no seu território.

Entre fortes medidas de segurança e apesar do destacamento de tropas nos arredores das praças das diferentes cidades, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra Washington e Teerão que acusam de transformar o Iraque “num lugar para acertarem contas entre si” e contra os políticos “corruptos” iraquianos que o permitem.

Um dos organizadores, Sabah Nabil, explicou à agência de notícias Efe que as mobilizações, em que “dezenas de milhares” de pessoas participam em todo o país, são uma resposta aos apeloss feitos nos últimos três dias, acrescentando que a participação na praça Tahrir, em Bagdade, capital iraquiana, é superior á de protestos anteriores.

Na praça Tahrir, como em várias cidades do sul do Iraque, milhares de iraquianos marcharam gritando “Não ao Irão! Não à América”, constataram os jornalistas da agência de notícias France-Presse (AFP).

Na noite de quinta-feira para esta , eclodiram confrontos entre manifestantes e polícias em Kerbala (sul), enquanto ativistas foram detidos em Basra (sul), indicaram correspondentes da AFP.

A tensão entre Washington e Teerão aumentou depois do ataque com mísseis lançados de um drone — veículo aéreo não tripulado –, há uma semana, em Bagdade, que matou o general iraniano Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, e o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular (Hachd al-Chaabi), além de outras oito pessoas.

O Irão retaliou na madrugada desta quarta-feira lançando 22 mísseis contra duas bases da coligação internacional anti-jihadista, liderada pelos Estados Unidos, em Ain al-Assad e Erbil, no Iraque.