Mark Zuckerberg, presidente executivo e fundador do Facebook, tem um hábito desde 2009: compromete-se com uma resolução de ano novo que partilha na rede social. Foi assim que construiu uma inteligência artificial para a sua casa, leu 25 livros, visitou todos os Estados Unidos da América e aprendeu mandarim. Depois de dois anos mais complicados — em 2018 foi revelado o escândalo Cambridge Analytica e começaram a surgir ataques informáticos que comprometeram a informação de dezenas de milhões de utilizadores —, para 2020 a tradição acabou. Agora, há vontades para 10 anos.

“Em vez de ter desafios ano a ano, tentei pensar no que espero que o mundo e a minha vida sejam em 2030 para garantir que estou a concentrar-me nessas coisas”, escreveu Zuckerbeg no Facebook. Ou então, o criador do Facebook resolveu mudar de método porque a resolução que definiu em 2019 correu mal. Zuckerberg queria “organizar uma série de discussões públicas sobre o futuro da tecnologia na sociedade”. Em 11 meses fez apenas seis (seria uma por mês), com pouco ou nenhum impacto.

Every new year of the last decade I set a personal challenge. My goal was to grow in new ways outside my day-to-day work…

Posted by Mark Zuckerberg on Thursday, January 9, 2020

2019 foi o ano em que o Facebook recebeu uma coima multimilionária de cinco mil milhões de dólares (cerca de 4,5 mil milhões de euros) como pena pelo caso Cambridge Analytica. Além disso, a empresa aceitou pagar 100 milhões de dólares (cerca de 89,8 milhões de euros) à SEC (a CMVM dos EUA) por não ser tão transparente quanto devia com os investidores e foi obrigada a aceitar que as operações sejam monitorizadas por organismos de supervisão independentes nas próximas duas décadas. Apenas mais uma possível razão para Zuckerberg não ter feito uma resolução de ano novo e não ter feito uma avaliação de 2019 no texto que escreveu no Facebook.

Facebook paga cinco mil milhões para encerrar caso Cambridge Analytica

Sobre as vontades para os próximos 10 anos, uma altura em que a filha de Mark Zuckerberg e de Priscilla Chan, “vai estar no secundário”, o executivo não deixa promessa. Num cenário otimista, o líder do Facebook afirma: “Teremos a tecnologia para nos sentirmos realmente ao pé de outra pessoa, não importa onde esteja, e as pesquisas científicas ajudarão a curar e prevenir doenças suficientes para estender a nossa esperança média de vida por mais 2,5 anos”.

Resolução para 2019 de Mark Zuckerberg? Organizar discussões públicas sobre tecnologia e sociedade

Numa altura em que o Facebook — que também detém plataformas como o Instagram e o WhatsApp — quer lançar uma criptomoeda e continua envolvido num cenário em que tem de recuperar a confiança dos utilizadores, Zuckerberg deixou apenas uma lista de vontades vagas. Estas são: ver o Facebook fazer uma mudança geracional de empresa de millenials para gerações mais novas; criar uma rede social nova, mais privada (uma promessa que não é nova); “oportunidades descentralizadas”, numa alusão à criptomoeda (Libra) que quer lançar; ver novas formas de computadores; e “novas formas de governança”, numa alusão à necessidade de mais e melhor regulação para o setor tecnológico.

Mesmo com vontades, e não resoluções, para a década, Zuckerberg termina a mensagem da seguinte forma: “Temos muito a fazer nesta década e muito que aprender para ajudar a fazer tudo isso acontecer. Espero que o seu novo ano e a nova década tenham um bom começo. A uma ótima década de 2020!”