Arash Pourzarabi, de 26 anos, e Pouneh Groji, de 25, tinham casado no dia primeiro dia do ano, em Teerão. Juntaram família e amigos — alguns dos quais tinham viajado com eles da província de Alberta, no Canadá. Uma semana depois da cerimónia, voltavam para casa com quatro amigos quando o avião em que se deslocavam foi atingido, poucos minutos após a descolagem, por um míssil disparado devido a “erro humano”. São algumas das 176 pessoas que morreram com a queda da aeronave.

Quando eram mais novos, os dois competiam em torneios de matemática. Agora, estudavam uma pós-graduação em informática na Universidade de Alberta. Dessa instituição, outros dez alunos e ex-alunos que seguiam na aeronave perderam a vida, segundo a universidade.

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خبرها حاکی از آن است که #هواپیما ی مسافری را به اشتباه هدف #موشک قرار داده‌اند. حکومتی که وقتی می‌خواهد انتقام بگیرد، هواپیمای خودی را می‌زند. وقتی می‌خواهد #تشیع_جنازه برگزار کند بیش از هفتاد نفر در اثر بی‌کفایتی مسئولان کشته می‌شوند، اما وقتی می‌خواهد به آمریکا حمله کند از طریق پنجاه کانال خبر می‌دهند که #دژمن جا را خالی کند مبادا که خون از دماغ یک آمریکایی ریخته شود، اگر اندکی #شرف در ارباب قدرت این دیار وجود داشت باید #هاراکیری دسته‌جمعی می‌کردند. در حکومتهای دموکراتیک به خاطر کمتر از اینها کل دولت استعفا می‌کند. من اگر جای خامنه‌ای بودم از شدت شرم خودم را سر به نیست میکردم. When the #iranian regime wants to bomb Americans, they shot down passenger airplanes. When they want to hold a #StateFuneral for #soleimani_qasem, more than 70 people are killed due to #iraniangovernment's incompetence. If there was an iota of decency in the entire #islamicrepublic government, starting with #khamenei every single one of them must resign. Shame on #islamicrepublicofiran. The photo is that of newlyweds #PounehGorji, 25, and #ArashPourzarabi who were killed in #ukraineairlines passenger airplanes shot down by Khamenei's order.

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Groji é descrita como uma mulher “inteligente, talentosa e cordial”. “Embora quisessem sair para terem uma vida melhor, o Médio Oriente é que não vos conseguiu deixar”, refere uma conhecida. “Eram praticamente as pessoas mais bondosas que conheci”, disse, por sua vez, um amigo do casal à CTV News. “Honestamente, se os tivessem conhecido, pelo menos uma vez, tinham percebido que pertenciam um ao outro”.

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Não foram o único recém-casal a perder a vida. Siavash Ghafouri-Azar e a esposa, Sara Mamani, regressavam a Quebec, também no Canadá, depois de darem o nó em Teerão. Tinham acabado de comprar a sua primeira casa em Montreal, contam familiares à BBC. “Não consigo encontrar palavras para descrever o meu generoso, dedicado sobrinho”, disse o tio de Azar à estação televisiva. “Era muito positivo e apaixonado desde a infância, até que a sua alma partiu do seu corpo. Descansa em paz com a tua amada esposa”.

Azar ensinava engenharia em Toronto. “Era muito inteligente, tinha uma alma muito gentil”, disse um colega. Sara era “muito gentil, muito educada”.

Pedram Mousavi e Mojgan Daneshmand e as filhas. Imagem retirada da rede social Twitter

Mãe, pai e filhos perderam a vida. Vítima mais nova tinha apenas um ano

Pedram Mousavi e Mojgan Daneshmand, casados, eram professores de engenharia na Universidade de Alberta. Viajavam com as duas filhas, Daria, de 14 anos, e Dorina de 9, quando o avião foi atingido. “Perdemos uma parte significativa da nossa comunidade“, disse à estação canadiana CBC Payman Parseyan, que pertence à comunidade iraniana local. “Toda a gente em Edmonton, descendente de iranianos, conhecia alguém naquele voo”.

Também a obstetra Shekoufeh Choupannejad e as duas filhas, Saba, que estudava medicina em Alberta, e Sara, que se graduou recentemente em psicologia, perderam a vida. “A comunidade está a sofrer com esta perda”, disse o reitor da universidade David Turpin.

Posted by Shekoufeh Choupannejad on Thursday, November 17, 2016

Muitas outras famílias perderam a vida: como Ardalan Ebnoddin Hamidi, Niloofar Razzaghi e o filho adolescente Kamyar, que voltavam do Irão onde tinham estado numas breves férias.

Evin Arsalani, que tinha completado 30 anos a 2 de janeiro, e Hiva Molani, de 38, tinham estado em Teerão com a filha, Kurdia, de apenas um ano. Era a mais nova passageira da aeronave. Em entrevista à CBC, o irmão de Evin, Omid, relata que a família regressava para casa, na província de Ontário. “Neste momento, não me importa como aconteceu, só me importa que perdi os meus familiares”.

Entre as dez vítimas suecas, muitas serão crianças, segundo os meios de comunicação da Suécia.

Khadem era um “cientista promissor”, Ghorbani queria ser médico

Armin Morattab ficou preocupada quando o irmão gémeo, Arvin, lhe ligou do aeroporto de Teerão com relatos de que o Irão tinha disparado mísseis a alvos norte-americanos. “Ele disse que regressava brevemente”, disse Armin ao Montreal Gazette. Mas Arvin e a mulher não voltaram.

Muitas das vítimas eram estudantes, investigadores ou docentes em universidades canadianas. Mehran Abtahi tirava o doutoramento na Universidade da Columbia Britânica e morreu, juntamente com a irmã Zeynab Asadi Lari e o irmão Mohammad Asadi Lari. Zeynab “tinha muito sonhos, e agora desapareceram”, diz uma amiga à BBC. O irmão, Mohammad fundou uma organização de caridade que ajuda estudantes das áreas da matemática e das ciências. Também perdeu a vida.

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Forough Khadem, por sua vez, regressava à província de Manitopa. Era descrito pelos colegas como um “cientista promissor e um querido amigo”. Estudava engenharia biomédica. “Não consigo usar o pretérito. Acho que ele vai voltar. Que iremos jogar outra vez, falar outra vez. É muito difícil falar no passado, muito difícil. Ninguém consegue acreditar“, disse um à CTV News.

Já Amirhossein Ghorbani, de 21 anos, estudava ciência na Universidade de Manitoba e queria tornar-se médico, disse um amigo à CBC.

Muitas das vítimas regressavam para as suas casas em Toronto ou outras cidades ali perto. Ghanimat Azhdari, 36 anos, estudante de doutoramento na universidade de Guelph, Ontaria, dedicava-se a promover os direitos dos grupos indígenas. Os colegas descreviam-na como “estimada e amada”. “Ghanimat era amada e celebrada por todos nós. A sua paixão e força inimitável pela vida permanecerão dentro de nós e florescerão no nosso trabalho coletivo contínuo” referiram colegas, em comunicado.

Nove dos 11 ucranianos mortos trabalhavam na companhia aérea Ukraine International Airleines. Valeriia Ovcharuk, de 28 anos era comissária de bordo. Recentemente, tinha publicado no Instagram uma fotografia com  legenda, “Trabalho, adoro-te”.