Rui Rio apelou este sábado à participação na votação para as diretas do partido, afirmando que a eventual impugnação ou irregularidade das eleições na Madeira é “um problema para resolver depois”.

“A Aberto João Jardim e mais 103 pessoas [do PSD Madeira] que cumpriram as suas obrigações provavelmente foi-lhes negado o direito de votar. Ele não estará contente e com razão. O que é aqui negar o direito de votar? Se o caderno eleitoral disponibilizado não é o oficial, obviamente que todos os votos que entrem na urna estão automaticamente anulados”, observou Rui Rio aos jornalistas depois de votar na sede do PSD no Porto.

Apelando à participação dos militantes e observando que estão a votar “em grande escala”, o ainda líder do PSD disse que a questão da Madeira “é um problema para resolver depois”, nomeadamente no que diz respeito a apurar a “importância dos 104 votos no resultado global”.

“Vamos acreditar que as coisas vão correr bem e que só há um problema focado na Madeira que está mais do que clarificado e será tratado nos órgãos próprios”, afirmou.

O social-democrata vincou que “as regras vão ser cumpridas e que, “se em algum sítio ou circunstância não forem, há órgãos próprios para obrigar ao cumprimento”.

“O que pode acontecer é – e espero que não – isto levar a recursos”, alertou.

Rui Rio apelou ainda à participação dos militantes.

“Segundo me disseram à entrada, [a participação] está a ser muito grande, ou seja, os militantes estão a votar em grande escala”, disse.

Montenegro confiante numa vitória à primeira volta

Luís Montenegro disse ter uma “forte expectativa” de vencer à primeira volta as eleições diretas que se disputam hoje, afirmando que o país precisa de uma oposição “forte e vigilante”.

“Da minha parte, estou entusiasmando com a expectativa que tenho de podermos vencer à primeira volta estas eleições”, disse Montenegro, adiantando que aguarda com “muita serenidade e tranquilidade” o veredicto dos militantes.

O antigo líder parlamentar do PSD chegou às 14:30 à Junta de Freguesia de Espinho, no distrito de Aveiro, acompanhado pela mulher e aguardou cerca de meia hora na fila para exercer o seu direito de voto.

À saída disse aos jornalistas estar “muito satisfeito” pela campanha “esclarecedora e motivadora” que fez, lamentando que este ato eleitoral seja marcado por “uma participação à partida muito inferior àquilo que é normal”.

Questionado sobre a divergência quanto ao número de militantes aptos a votar na Madeira, relacionada com o modo de pagamento das quotas, Montenegro mostrou estar preocupado com aquilo que disse ser uma “indefinição relativamente a algumas matérias que têm a ver com a organização do ato eleitoral”, mas afirmou não querer perturbá-lo com qualquer consideração.

O candidato à liderança do PSD destacou ainda que espera que o partido saia destas eleições “mais unido, mais motivado, mais mobilizado”, para poder cumprir a tarefa de ser hoje o principal partido da oposição e amanhã a alternativa política que pode dar a Portugal outro governo.

“Qualquer que seja o resultado, aquilo que importa hoje é que haja um vencedor e que esse vencedor seja o PSD e a democracia portuguesa”, frisou, afirmando que o país “precisa de uma oposição forte, vigilante, atuante no trabalho de escrutínio de fiscalização da ação do Governo”.

Montenegro assumiu ainda que caso seja vencedor conta com todos os militantes, anunciando que pretende incluir nos corpos diretivos do PSD colegas que apoiaram outras candidaturas.

Pinto Luz apela ao voto de “maior número” possível de militantes e pede união pós-eleições

Quanto a Miguel Pinto Luz, apelou este sábado a que “o maior número de militantes possa votar” e pediu que, depois das diretas, todos se unam em torno de um projeto e das próximas eleições.

Em declarações aos jornalistas, antes de votar em Cascais nas eleições diretas para escolher o próximo líder do PSD, Pinto Luz assegurou que, caso haja uma segunda volta e ele não seja um dos dois candidatos mais votados, se remeterá ao silêncio.

“Sou um homem de palavra. Já o disse e repito, no caso da existência de uma segunda volta remeter-me-ei ao silêncio. Mas aguardo com expectativa porque conto ir à segunda volta ou ganhar”, afirmou Pinto Luz, que foi o último dos três candidatos à liderança do PSD a votar, cerca das 16:00.

Questionado se teme que, após as eleições, se mantenham as divergências internas, o candidato relativizou.

“Há sempre divisões, clivagens, mas é bom, num partido como o PSD, que haja diferentes visões da sociedade. Depois das eleições temos que nos unir à volta de um projeto, à volta das próximas eleições, que os portugueses precisam de nós”, afirmou.

O vice-presidente da Câmara de Cascais salientou que “hoje é um dia especial”, em que “os militantes do PSD falam mais alto”.

“A expectativa é aguardar que o maior número de militantes possa votar, já que tínhamos um caderno eleitoral tão curto, tão enxuto, aliás o mais enxuto da história da democracia dentro do PSD”, apontou.

Com as novas regras de pagamento de quotas, o universo eleitoral encurtou-se em cerca de 30 mil militantes em relação às diretas de há dois anos, quando foi de 70.692, mas acabaram por votar apenas 42.655, cerca de 60% do total.

Pinto Luz disse aguardar “com respeito e expectativa” pelo voto dos militantes: ”Os militantes vão dizer quem querem que esteja a liderar o PSD a partir de hoje à noite, a questão que se coloca é entre um projeto do passado e um de futuro”, afirmou.

Questionado sobre o que trouxe a sua candidatura à campanha interna, o autarca e antigo líder da distrital de Lisboa começou por dizer “contemporaneidade e frescura”.

“Uma campanha reformista que nenhuma das candidaturas apresentou, algum inconformismo, acabar com o cinzentismo”, acrescentou.

E ainda que não saia vencedor disse acreditar que a sua candidatura “serviu para abrir o partido como um todo”.

“Esse cinzentismo terá um fim e o fim será hoje”, afirmou.

Pinto Luz lamentou que na campanha não se tenham discutido os programas eleitorais, nem se tenham realizado mais debates entre os candidatos, mas disse esperar que o PSD aprenda “para o futuro.

Sobre as divergências entre a direção nacional e a estrutura regional do PSD-Madeira quanto ao número de militantes com quotas em dia, Pinto Luz disse ter pedido “recato sobre o tema” e por isso também não fez comentários.

O caso concreto da Madeira promete ensombrar a votação, já que o PSD-Madeira insiste que podem votar este sábado 2.500 militantes, apesar de a secretaria-geral contabilizar pouco mais de cem com quotas pagas à luz do novo regulamento.

A divergência entre a estrutura regional e nacional está no modo de pagamento das quotas, que deve permitir a identificação do militante, enquanto a maioria na Madeira paga as quotas diretamente na sede, em numerário, tendo o Conselho de Jurisdição Nacional – o ‘tribunal’ do partido – reiterado que “os regulamentos aprovados não preveem exceções”.

Mais de 40 mil militantes do PSD podem votar este sábado na escolha do próximo presidente social-democrata, menos 30 mil do que há dois anos, numa disputa a três que pode obrigar a uma inédita segunda volta.

O atual presidente do PSD, Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara de Cascais Miguel Pinto Luz são os três candidatos que disputam a presidência do partido em eleições diretas.

Se nenhum deles obtiver este sábado mais de 50% dos votos, a segunda volta realiza-se daqui a uma semana, dia 18, entre os dois candidatos mais votados, o que seria inédito no PSD, apesar de a regra estar nos estatutos desde 2012.