A empresária Isabel dos Santos continua a insistir na tese de que está a ser usada como “bode expiatório” do presidente angolano João Lourenço e que não lhe foi dada qualquer hipótese para se defender antes de ver os seus bens arrestados pela justiça angolana. Já em entrevista ao Observador tinha admitido que existe atualmente no país uma “caça às bruxas” e que os seus escritórios “tinham sido alvo de um ataque de hackers”.

Em entrevista à Reuters divulgada esta segunda-feira, Isabel dos Santos diz que “o que está a acontecer é uma forma de neutralizar qualquer pessoa que possa influenciar uma mudança de rumo dentro do MPLA“. A empresária sustenta que os procuradores do caso avançaram com a investigação com base em “mentiras, falsos testemunhos e também documentos falsos”.

“Este é um julgamento político, há um Estado perseguidor e magistrados servis e partidários. E depois há uma mulher que foi escolhida para ser exemplo como bode expiatório. Sou eu”, disse Isabel dos Santos acrescentando que esta é “uma tentativa de mascarar e distrair as pessoas dos reais desafios económicos”, sem que ela ou qualquer parceiro tivessem sido notificados da investigação em curso.

Segundo a empresária, apenas teve conhecimento da ação judicial em curso pelas perguntas dos jornalistas que lhe foram chegando por Whatsapp.

Sobre a Sonangol, a empresária acrescenta ainda que o presidente angolano “pode não ter outra hipótese” que não a de privatizar a empresa. A Sonangol é uma das 175 empresas que integra a lista de companhias que o governo angolano planeia privatizar até 2022.