O Índice de Preços no Consumidor registou uma taxa de variação média de 0,3% em 2019, contra 1% no ano anterior, anunciou esta segunda-feira o INE, que confirmou também o aumento dos preços em dezembro em 0,4%. A variação positiva mais significativa, neste índice de evolução dos preços, foi registada nos preços dos bilhetes de avião, que aumentaram 9% — em sentido contrário, moveram-se os preços dos comboios e dos autocarros.

“Em 2019, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma taxa de variação média de 0,3% (1,0% no ano anterior)”, avança o Instituto Nacional de Estatística (INE), acrescentando que, excluindo a energia e os bens alimentares não transformados, a taxa de variação média foi de 0,5% em 2019 (0,7% no ano anterior).

O INE confirmou ainda a previsão já avançada na estimativa rápida de que a taxa de variação homóloga do IPC foi de 0,4% em dezembro, superior em 0,1 pontos percentuais à de novembro. A variação situou-se em 0,4% excluindo a energia e os bens alimentares não transformados. Em termos mensais registou-se uma redução de 0,1% em dezembro, igual à verificada no mês anterior. No período homólogo, a queda foi de 0,2%.

Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) registou uma taxa de variação média de 0,3% em 2019 (1,2% no ano anterior). A taxa de variação homóloga foi de 0,4% em dezembro, superior em 0,2 pontos percentuais à de novembro e inferior em 0,9 pontos percentuais à estimada pelo Eurostat para a área do Euro.

O que fez subir e o que fez cair a taxa de inflação

A redução da taxa de inflação entre 2018 e 2019 “foi influenciada pelo comportamento da inflação subjacente e pela evolução negativa dos preços dos produtos energéticos”, que registaram variações médias anuais de 0,5% e -1,8%, respetivamente (0,7% e 4,7% em 2018).

Já os preços dos produtos alimentares não transformados aumentaram 0,9% em 2019, acima dos 0,6% no ano anterior. Segundo o INE, em 2019, voltou a registar-se um crescimento médio anual mais elevado dos preços dos serviços, que aumentaram 1,2%, do que nos preços dos bens, que caíram 0,3%.

Ao nível das classes de despesa, o INE destaca pela positiva os contributos dos Transportes e dos Bens e serviços diversos. O transporte aéreo de passageiros encareceu 8,7% e os seguros relacionados com transportes aumentaram 7,3%. Os produtos hortícolas subiram 5,3% e os serviços financeiros subiram 4,1%, uma evolução que poderá estar relacionada com os aumentos de comissões que a banca, de um modo geral, está a aplicar, como compensação pelas baixas taxas de juro.

Também em destaque pela positiva, os veículos automóveis aumentaram 4% e as rendas pagas por inquilinos tornaram-se 3,2% mais caras, de acordo com este índice de evolução média dos preços.

Em sentido contrário, num ano em que se criaram os passes únicos, o índice de preços no consumidor registou uma descida de 6,3% na rubrica do transporte rodoviário de passageiros e de 5,6% no transporte ferroviário de passageiros.

Destaque ainda, entre os elementos que puxaram o índice para baixo, estão o calçado (-4,5%), as comunicações (-2,6%) e os serviços de alojamento (-1,9%).

A evolução dos preços ao longo de 2018 e 2019 mostra que a taxa de variação homóloga do IPC total aumentou ligeiramente nos primeiros meses de 2019 e que o valor mínimo foi registado em julho de 2019, tendo-se registado três meses com valores negativos. Nos últimos meses de 2019, verificou-se um aumento progressivo desta taxa.

A classe das comunicações registou uma forte diminuição de preços em maio de 2019, influenciada pela entrada em vigor dos limites de preços para comunicações entre países da União Europeia.