O realizador português Pedro Costa é um dos destaques do festival francês Cinema du Réel com a programação especial de quatro das suas principais obras e uma carta-branca de nove sessões, anunciou esta terça-feira o evento.

“O cinema de Pedro Costa tem um efeito avassalador no espetador assim como desafia constantemente a relação entre ficção e documentário”, pode ler-se em comunicado enviado pelo Cinema du Réel às redações sobre a escolha do realizador português. Este ano, o Cinema du Réel, uma mostra internacional de cinema documental que decorre anualmente em Paris, não vai estar só presente no Centro Pompidou, como já é habitual, mas vai também prolongar-se ao recém-inaugurado Jeu de Paume, um pavilhão no jardim das Tulherias que agora acolhe um museu de fotografia moderna.

Pedro Costa estará presente nestes dois polos. Primeiro com sessões especiais durante o festival, onde as obras “No Quarto de Vanda” (2000), “Juventude em Marcha” (2006), “Cavalo Dinheiro” (2014) e “Vitalina Varela” (2019) vão ser mostradas entre 13 e 22 de março.

Estas sessões vão ser acompanhadas por uma “masterclass” de Pedro Costa, onde o realizador falará da sua obra e também de aspetos técnicos dos seus filmes e ainda uma discussão sobre o filme “No quarto de Vanda”. Num segundo tempo, de 24 a 31 de março, Pedro Costa recebeu ‘carta-branca’ para nove sessões que vão contar com filmes seus como “O Nosso Homem” ou “O Sangue”, mas também obras de outros realizadores. A ‘carta-branca’ de Pedro Costa vai decorrer no Jeu de Paume.

Nascido em Lisboa, em 1959, Pedro Costa é um cineasta independente, herdeiro das experiências feitas em 16mm no documentário pelos seus pares do chamado Novo Cinema, tendo-se formado na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. Iniciou a atividade nos anos 1990, tendo sido assistente de realização de Jorge Silva Melo e de João Botelho, criando, até hoje, 15 longas e curtas-metragens como “Ne Change Rien” (2009), “Juventude em Marcha” (2006), “Ossos” (1997), “Casa de Lava” (1994) e “O Sangue” (1989).

O seu mais recente filme, “Vitalina Varela”, teve estreia mundial em agosto passado, no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde arrecadou os principais prémios do certame: Leopardo de Ouro e Leopardo de melhor interpretação feminina para a protagonista, que dá nome ao filme. Desde aí, tem recebido vários prémios em diversos festivais internacionais de cinema. O filme “No Quarto da Vanda” deu-lhe o Prémio France Culture para o Cineasta Estrangeiro do Ano, no Festival de Cannes de 2002.

Esta presença do realizador nacional em terras francesas vai dar origem a um catálogo e livro de arte publicado pelas Edições l'(CE)il que abrange toda a sua participação no evento, assim como a sua obra.