Manifestantes libaneses voltaram esta terça-feira às ruas para protestar contra o atraso na formação de um novo Governo e contra a crise económica, no 90.º dia de um movimento de contestação sem precedentes.

Sob a palavra de ordem “semana de indignação”, os manifestantes, que exigem desde 17 de outubro a saída da classe dominante acusada de corrupção e incompetência, cortaram as principais estradas com contentores e pneus queimados, segundo os canais locais e um correspondente da agência de notícias France-Presse (AFP).

O Líbano está sem Governo desde a demissão, no final de outubro, do primeiro-ministro Saad Hariri, enquanto um novo executivo tenta emergir desde a nomeação em 19 de dezembro do novo primeiro-ministro, Hassan Diab.

A situação económica e financeira, precária já antes do início do movimento de protesto, continuou a piorar nas últimas semanas, no contexto de restrições severas em levantamentos bancários e uma desvalorização de cerca de 40% da moeda nacional no mercado paralelo que causou um aumento nos preços.

“Começamos a fechar as estradas novamente porque não aguentamos mais”, indicou à AFP Laila Youssef, uma manifestante de 47 anos em Jdeideh, nos subúrbios do norte de Beirute. “O que ganhamos hoje nem chega para comprar os produtos básicos”, acrescentou Youssef, mãe de três filhos.

Em Hasbeya (sudeste), Akkar (norte) e em Beirute, os manifestantes pediram a formação imediata de um Governo de tecnocratas independentes dos partidos no poder, acusando-os de terem permitido que o país se afundasse.

Colunas de fumo dos pneus queimados eram visíveis em várias estradas do país.

Nas últimas semanas, os bancos impuseram limites nos levantamentos, provocando indignação dos depositantes e brigas em alguns estabelecimentos.

O Banco Mundial alertou em novembro que metade da população poderia mergulhar na pobreza.

O país tem uma dívida próxima de 90 mil milhões dólares (80 mil milhões de euros), mais de 150% do PIB (Produto Interno Bruto).