A 19.ª sessão do julgamento do caso de Alcochete, a primeira desta sétima semana com a interrupção das férias judiciais pelo meio, terá duas caras conhecidas pelo meio: Luís Maximiano e Wendel, os primeiros jogadores que estavam na Academia a 15 de maio de 2018 a prestar depoimento como testemunhas do Ministério Público, vão repetir os respetivos depoimentos depois de se terem detetado falhas nas gravações que feitas por videoconferência a partir do Tribunal de Alcochete, na tarde do dia 9 de dezembro de 2019. Antes, de manhã, foram chamados João Reis, técnico de equipamentos dos leões, e também o fisioterapeuta Hugo Fontes.

[O resumo do dia 18 do julgamento do caso de Alcochete]

“Vi-os a chegar a correr. Deram logo com o cinto ao [Bas] Dost, partiu-se e depois acertou-me. O William começou a dizer a um deles ‘Eu conheço-te, eu conheço-te’. Fechei a porta da sala das botas, a porta para o exterior. Foi o [João] Rollin que me ligou para fechar. O Ricardo Gonçalves meteu-se à frente deles e empurraram-no. Forçaram a porta do corredor para o balneário”, começou por referir João Reis, citado pelo jornal O Jogo, antes de especificar não só as agressões ao avançado holandês mas também a outros elementos como Misic.

[O resumo do dia 17 do julgamento do caso de Alcochete]

“Deram-lhe na cabeça, a fivela partiu e acertou-me no braço. Suponho que era só um com o cinto porque o que vi depois no balneário estava sem a fivela. O que diziam? ‘Vocês são uma vergonha’ e ‘Não ganhem domingo e estão fod**** connosco’, disseram. Perguntaram onde estava o Acuña. Vi o Misic ser agredido também, que lhes disse que nem jogava e depois fui para o balneário. Fiquei no balneário e ainda apanhei coisas do chão. Vi duas tochas no balneário, uma no corredor e uma outra que vi pelo vidro, a atirarem para cima da Academia”, disse o técnico de equipamentos, antes de acrescentar uma outra tocha que estava no interior do caixote do lixo.

[O resumo do dia 16 do julgamento do caso de Alcochete]

João Reis falou depois das reuniões em Alvalade que existiram na véspera da invasão à Academia, neste caso a terceira e última que juntou todos os elementos do staff da equipa depois dos encontros com técnicos e jogadores. “Bruno de Carvalho disse ‘Amanhã, aconteça o que acontecer, quero saber quem está comigo. Quem não está, devia. Amanhã às quatro [da tarde] estamos na Academia'”, comentou, antes de voltar atrás e identificar pelo nome o indivíduo que o médio William Carvalho teria reconhecido: “Tratou-o por Valter”.

[O resumo do dia 15 do julgamento do caso de Alcochete]

“O Acuña estava metido dentro do cacifo, com pessoas à volta dele”, concluiu ainda, dizendo ter visto Misic ser agredido “com o mesmo cinto que tinha agredido Bas Dost mas já sem fivela. Já só voltei a ver os jogadores depois do treino da tarde na véspera da final da Taça, no Jamor. Estavam tristes e assustados”, citado pelo jornal Record. Seguiu-se Hugo Fontes, fisioterapeuta que, pela posição que ocupava no balneário, conseguiu ver sobretudo as agressões aos dois argentinos do plantel verde e branco, Acuña e Battaglia.

[O resumo do dia 14 do julgamento do caso de Alcochete]

“Entraram no balneário e começaram a agarrar e a agredir, com ameaças. Bateram nas costas e no peito dos que estavam primeiro. Insultaram e perguntaram pelo Acuña e pelo Battaglia. O Acuña tentou refugiar-se no cacifo, o Battaglia foi agredido contra a parede com pontapés e empurrões. Se houve alguma tentativa de falar? Não. Foi tudo inesperado. Abordaram logo o Rui Patrício e o William, ficaram de volta deles os primeiros a entrar e depois três ou quatro foram em direção ao Acuña e outros três ou quatro para o Battaglia. O Acuña enfiou-se no cacifo para se proteger de lado. Estava sentado. Vi pontapés e bofetões. Ficámos petrificados no balneário”, começou por contar Hugo Fontes, em resposta à procuradora do Ministério Público, recordando ainda a “muita confusão que havia no balneário” também por culpa do fumo e do disparar do alarme de incêndio.

[O resumo do dia 13 do julgamento do caso de Alcochete]

“Se fiquei com receio? Fiquei, passei a pensar que podia acontecer a qualquer altura, na Academia ou noutro lugar qualquer. Quem vi com marcas? Com feridas visíveis vi o Bas Dost, a sangrar, e vi arremessarem também o garrafão da água ao Battaglia. O Montero também foi agredido com murros e pontapés”, prosseguiu, antes de falar sobre a reunião em Alvalade a 14 de maio de 2018, a mesma em que João Reis tinha estado presente.

[O resumo do dia 12 do julgamento do caso de Alcochete]

“Lembro-me de o presidente Bruno de Carvalho dizer que a Taça de Portugal era uma m****. Nessa reunião com a Direção da véspera, o mais estranho foi o presidente ter desvalorizado a final da Taça. Perguntou se estávamos com a Direção ou não. No final disse para estarmos na tarde seguinte na Academia e que tínhamos uma taça para ganhar”, concluiu o fisioterapeuta, num depoimento de cerca de uma hora no Tribunal de Monsanto.

[O resumo do dia 11 do julgamento do caso de Alcochete]

Na parte da tarde, começaram então a ser ouvidos de novo os jogadores Luís Maximiano e Wendel, a começar pelo guarda-redes que esta temporada conseguiu ganhar a titularidade entre as opções de Jorge Silas. E, como seria de esperar, as respostas quer à procuradora, quer aos advogados dos arguidos não fugiram ao que já tinha sido dito na primeira vez que falaram por videoconferência a partir do Tribunal de Alcochete, a 9 de dezembro.

[O resumo do dia 10 do julgamento do caso de Alcochete]

“O Battaglia foi agredido com um garrafão, contra o corpo. Depois, aproximaram-se, mas não me lembro se lhe bateram, não me recordo. Se alguém reagiu ou fez alguma coisa? Nós, jogadores, não falámos nada. Ficámos só pasmados e sem reação. Não dissemos nada. No final, à saída do balneário, lembro-me que disseram ‘Não ganhem no domingo e vão ver o que vos acontece'”, começou por referir Luís Maximiano.

[O resumo do dia 9 do julgamento do caso de Alcochete]

“Havia alvos específicos: o Battaglia, o Acuña, o William Carvalho e o Rui Patrício. Ninguém sequer olhou para mim. Como não tinha estado na Madeira, no jogo com o Marítimo, não sabia o que tinha acontecido lá”, salientou, antes de dizer que também Misic e Montero foram agredidos sem terem dito ou feito nada. “Lembro-me que o Battaglia disse que não ia haver treino porque era Carnaval, quando viu os indivíduos encapazudos lá fora”, acrescentou, num depoimento de quase uma hora que terminou com elogios não só da juíza presidente, Sílvia Rosa Pires, como também do advogado de Bruno de Carvalho, Miguel A. Fonseca.

[O resumo do dia 8 do julgamento do caso de Alcochete]

Por fim, e num depoimento bem mais curto do que a 9 de dezembro (onde tinha ouvido uma espécie de “recado” da juíza no final pelo recurso constante à frase “Não me recordo”), Wendel foi dispensado em menos de meia hora, depois de ter voltado a referir que foi agredido com “tapas” na cara e que viu também as agressões a Acuña e Misic, no caso do último “com um cinto nas costas”. “Além destes, não vi mais nenhuma”, frisou.

[O resumo do dia 7 do julgamento do caso de Alcochete]

Já nos últimos minutos, e perante a pergunta se tinha visto Ricardo Gonçalves no balneário, o médio brasileiro respondeu com outra pergunta: “Quem é esse?”. Quando foi recordado que se tratava do então diretor de segurança da Academia, Wendel referiu que não se lembrava se tinha visto o responsável nesse dia em específico. No entanto, havia ainda uma “novidade” guardada: perante as perguntas do advogado Miguel A. Fonseca, o jogador acabou por contrariar a versão de Jorge Jesus a propósito da recusa do plantel em falar com Bruno de Carvalho depois da invasão. “Ele falou com todos, falou com o grupo”, disse, citado pela Lusa, acrescentando de seguida que nunca se recusou a falar com o então presidente nem ouviu nenhum companheiro de equipa dizer que não falava.

[O resumo do dia 6 do julgamento do caso de Alcochete]

A 20.ª sessão do julgamento do caso de Alcochete realiza-se esta sexta-feira, dia 17 (onde à noite haverá Sporting-Benfica em Alvalade), com as audições do secretário técnico João Rollin Duarte de manhã e do antigo lateral direito Piccini, italiano que foi vendido no final da temporada 2017/18 para os espanhóis do Valencia.