A final da edição de este ano do Festival da Canção será em Elvas. O anúncio foi feito esta quarta-feira pela RTP, que organiza anualmente o concurso musical que elege o representante português na Eurovisão.

A final do Festival da Canção, que está agendada para o dia 7 de março, um sábado, vai realizar-se assim no Alentejo, depois de duas edições anteriores com finais no Minho (em Guimarães) e no Algarve (Portimão).

O palco da final será o Coliseu Comendador Rondão Almeida, uma antiga praça de touros da cidade de Elvas que foi recuperada, na qual também se realizam  concertos e outros espetáculos culturais e que tem uma lotação com capacidade máxima para 7.500 pessoas.

O festival decorrerá em Elvas e isso deixa-nos felizes. Não temos de estar só nos maiores polos urbanos do país. Será um fim-de-semana muito especial”, prometeu Gonçalo Madaíl, subdiretor da RTP1.

Antes da final do Festival da Canção, há duas semifinais agendadas para os dias 22 e 29 de fevereiro — dois sábados. Ambas vão realizar-se nos estúdios da RTP, tendo transmissão em direto na estação pública da televisão portuguesa.

Blasted, Filipe Sambado, Elisa Rodrigues e Jimmy P vão cantar no Festival

Além de anunciar o palco da final do concurso, a RTP revelou também os cantores escolhidos pelos compositores que vão concorrer no Festival da Canção. Em alguns casos os autores que compuseram uma canção para o festival convidaram outros vocalistas para interpretar os seus temas — é o caso, por exemplo, de Dino D’Santiago, Tiago Nacarato, Rui Pregal da Cunha, Hélio Morais e Pedro Jóia.

Também há, como habitual, autores que vão eles próprios cantar os seus temas, como Filipe Sambado, Jimmy P, Elisa Rodrigues e as bandas Blasted Mechanism e Throes and the Shine.

Conheça os concorrentes da primeira semifinal:

Autor – Blasted
Intérprete – Blasted
Canção – “Rebellion”
Letra/Música – Blasted/Stego/Guerra

Autor – Filipe Sambado
Intérprete – Filipe Sambado
Canção – “Gerbera Amarela do Sul”
Letra/Música – Filipe Sambado

Autor – João Cabrita
Intérprete – Ian Mucznik
Canção – “O Dia de Amanhã”
Letra – Ian Mucznik / Música – João Cabrita

Autor – Marta Carvalho
Intérprete – Elisa
Canção – “Medo de Sentir”
Letra/Música – Marta Carvalho

Autor – Meera
Intérprete – Meera
Canção – “Copo de Gin”
Letra/Música – Meera

Autor – Rui Pregal da Cunha
Intérprete – JJaZZ
Canção – “Agora”
Letra/Música – Rui Pregal da Cunha”

Autor – Throes and the Shine
Intérprete – Throes and the Shine
Canção – “Movimento”
Letra/Música – Throes and the Shine

Autor – Tiago Nacarato
Intérprete – Bárbara Tinoco
Canção – “Passe-Partout”
Letra/Música – Tiago Nacarato

Conheça os concorrentes da segunda semifinal:

Autor – António Avelar de Pinho
Intérprete – Luiz Caracol + Gus Liberdade
Canção – “Dói-me o País”
Letra – Luiz Caracol / Música – António Avelar de Pinho

Autor – Cláudio Frank
Intérprete – Cláudio Frank
Canção – “Quero-te Abraçar”
Letra/Música – Cláudio Frank

Autor – Dino D’Santiago
Intérprete – Kady
Canção – “Diz Só”
Letra – Kalaf Epananga / Música – Dino D’Santiago

Autor – Dúbio Feat. +351
Intérprete – Dúbio Feat. +351
Canção – “Cegueira”
Letra – Hugo Azevedo / Música – Rui Azevedo + Pedro Azevedo

Autor – Elisa Rodrigues
Intérprete – Elisa Rodrigues
Canção – “Não Voltes Mais”
Letra/Música – Elisa Rodrigues

Autor – Hélio Morais
Intérprete – Judas
Canção – “Cubismo Enviesado”
Letra/Música – Hélio Morais

Autor – Jimmy P
Intérprete – Jimmy P
Canção – “Abensonhado”
Letra/Música – Jimmy P

Autor – Pedro Jóia
Intérprete – Tomás Luzia
Canção – “Mais Real que o Amor”
Letra – Tiago Torres da Silva / Música – Pedro Jóia

Final voltará a ter Filomena Cautela e Vasco Palmeirim

Durante a conferência de imprensa de apresentação da edição de este ano do Festival, foram ainda revelados os apresentadores das semifinais e final. Aqui, há uma aposta de continuidade da estação que sofre apenas uma ligeira alteração. Se na edição de 2019 as primeiras semifinais foram apresentadas por duplas compostas por Tânia Ribas de Oliveira e Sónia Araújo (a primeira) e Jorge Gabriel e José Carlos Malato (a segunda), este ano a primeira semifinal será apresentada por Jorge Gabriel e Tânia Ribas de Oliveira e a segunda por José Carlos Malato e Sónia Araújo.

A final voltará a ser apresentada, tal como na edição anterior, por Filomena Cautela (uma das apresentadoras da Eurovisão em 2018, quando esta se realizou em Lisboa) e Vasco Palmeirim. Na green room, em contacto com os artistas, continuará a estar Inês Lopes Gonçalves, quer nas semifinais quer na final.

Festival “tinha de ser retrato da comunidade artística que não depende da televisão”

Paralelamente à apresentação desta edição, o subdirector da RTP1 e director da RTP Memória, Gonçalo Madaíl, explicou ao Observador que esta vai ser a quarta edição do Festival da Canção após uma mudança na sua linha estratégica, que considerou necessária e bem-vinda. A mudança passou por a RTP começar a convidar diretamente a larga maioria dos compositores das canções a concurso.

Percebemos que o Festival da Canção tinha de ser um retrato da música contemporânea portuguesa, da comunidade artística [nacional] que não depende da televisão e do festival, porque são profissionais. Tentámos voltar aos anos de ouro, em que isto se verificava”, apontou.

Nas três edições anteriores, as primeiras após a alteração no modelo de submissão das canções por parte dos concorrentes (que passaram a ser em grande parte convidados a participar), houve vitórias de Luísa e Salvador Sobral — que posteriormente deram a Portugal a sua primeira vitória de sempre na Eurovisão —,  Isaura e Cláudia Pascoal — que ficaram em último lugar na final, a que passaram por serem anfitriãs — e Conan Osiris, que não logrou a passagem à final da Eurovisão.

Este é também o terceiro e último ano de um compromisso inicial de triénio assumido pela RTP, que passava por descentralizar o festival levando a sua final até outras cidades e palcos fora de Lisboa e Porto. A continuidade do modelo “está em avaliação por questões logísticas e orçamentais”, mas “a vontade” de continuar a realizar a final em cidades diferentes todos os anos “mantém-se”, porque insere-se na “missão de serviço público” de uma estação que quer “chegar às pessoas” de todo o país, não apenas pelo televisor, refere o subdiretor da RTP1.