As preocupações ambientais e de redução do desperdício energético e de água aumentou em quatro anos de 185 mil metros para 218 mil metros a venda da fita de rega gota a gota na Trofa, anunciou a cooperativa local.

Jorge Oliveira foi “o primeiro agricultor daquele concelho do distrito do Porto a optar pela rega gota a gota do milho”, iniciando-se num ano em que “houve escassez de água”, uma opção que, decorridos quatro anos, lhe permitiu “em 2019 duplicar a área de produção, economizando energia e água”, relatou à Lusa.

Produtor de milho há 22 anos, Jorge Oliveira conheceu nesse período vários tipos de rega, como o “alagamento, que consumia muito mais água e o desperdício era muito maior, passando pela aspersão, que veio economizar mais água”, até ao sistema “cada vez mais utilizado no concelho, de rega gota a gota”. Este é um sistema que, garantiu, “não perde sustentabilidade por ter de ser trocado a cada ano”, uma vez que “o material recolhido vai para reciclagem”.

Reparei depois ser um sistema em que, em termos de produtividade do milho, a eficiência era muito grande e fazia um melhor aproveitamento da planta. Com o tempo, esse equipamento tornou-se mais acessível, as empresas investiram mais nesse tipo de rega”, relatou o agricultor.

Dados fornecidos à Lusa pela Cooperativa dos Agricultores dos Concelhos de Santo Tirso e Trofa, referem que entre 2015 e 2019 os números de vendas de fitas de rega tiveram uma evolução quase sempre positiva: 2015 (185 mil metros), 2016 (208 mil), 2017 (173 mil), 2018 (216 mil) e 2019 (218 mil). A explicação para esta evolução, segundo Jorge Oliveira, decorre do facto de o sistema “não só economizar água, mas também implicar menos energia, porque a pressão é menor e o motor mais pequeno”, facto que “tem atraído cada vez mais agricultores da Trofa”.

“Anualmente invisto cerca de 200 euros por hectare”, disse o produtor de milho sobre um período de rega que acontece entre “junho e setembro”, salientado ter “em 2019 aumentado a área para três hectares ao duplicar a área de produção” do cereal.

Enfatizando que “irrigou mais hectares em 2019 com menor consumo de água e de energia por hectare”, Jorge Oliveira apresentou outros números para justificar a aposta ganha. “Em média, para irrigar uma parcela, precisava de 100 horas de trabalho de motor. Com este tipo de rega, consigo fazer a mesma coisa quase com metade das horas de motor e da água”, disse, acrescentando que esta equação “quase paga o investimento feito na compra anual das fitas”.

A rega gota a gota, explicou, é feita aproveitando o espaço de entre 70 a 75 centímetros entre as sementes, onde é colocada a fita, devendo a cultura ser feita num terreno com pouco ou nenhum desnível, para que a rega possa ser uniforme.