Jogou 77 minutos em Setúbal a contar para a Taça da Liga (e até foi um dos melhores, saindo com os encarnados em vantagem), tomou banho, voltou a casa e no dia seguinte já estava em Londres. Aproveitando as férias de Natal concedidas por Bruno Lage em virtude da paragem nas competições nacionais, o médio viajou para Londres mas nem por isso ficou afastado do futebol e foi visto nas bancadas a assistir ao dérbi entre Tottenham e Chelsea, que os spurs até perderam no duelo entre José Mourinho e o seu ex-capitão Frank Lampard. A cidade inglesa parecia o destino traçado para o jogador do Benfica e acabou mesmo por ser mas, ao contrário do que chegou a ser dado como certo, rumou mesmo ao conjunto do português e não ao West Ham de David Moyes.

Esta quarta-feira, Gedson Fernandes foi confirmado como reforço do Tottenham, num empréstimo de um ano e meio com opção de compra até junho de 2021. Os valores oficiais do negócio não foram divulgados mas, segundo a imprensa inglesa, o Benfica deverá receber pelo período de cedência temporária um valor superior aos quatro milhões de euros, ficando a cláusula de opção nos 50 milhões – o que, caso fosse confirmada, faria do internacional português a segunda maior venda do clube da Luz, apenas atrás dos 126 milhões de João Félix.

Em paralelo, esta é já a sexta compra de José Mourinho no Benfica. O filão começou a ser explorado com a compra do médio internacional Tiago no ano de estreia do técnico no Chelsea, por 12 milhões. Seguiu-se Ángel Di María, extremo argentino que foi reforço na primeira época do Special One no Real Madrid, em 2010, por 36 milhões. E quando ainda estava no Santiago Bernabéu foi contratado também Fábio Coentrão, logo no ano seguinte, por 30 milhões. No regresso a Stamford Bridge, o português apostou no médio Matic (que já tinha passado antes pelo clube, sem sucesso) por 25 milhões em 2014, antes de, quando rumou ao Manchester United no seu segundo clube em Inglaterra, ter assegurado o central sueco Lindelöf por 35 milhões, no verão de 2017.

Ao todo, e somando agora Gedson, foram já 142,5 milhões de euros – a que se podem ainda juntar os 50 milhões da opção de compra. E com outra curiosidade: todos saíram como campeões da Luz à exceção de Tiago, que na época de 2003/04 ganhou apenas a Taça de Portugal contra o FC Porto de… José Mourinho.

“Realizei um sonho, é um sonho estar neste grande clube. Vou dar o máximo em cada dia, em cada treino e cada jogo por esta camisola. Vou tentar estar sempre ao meu melhor nível. Todos os jogadores do mundo querem jogar na Premier League e sempre quis um dia jogar nesta liga”, começou por referir Gedson Fernandes na primeira entrevista como jogador do Tottenham ao canal oficial do clube (e já em inglês).

“A minha família veio para Londres porque é difícil arranjar trabalho em Portugal. Têm uma boa vida e isso foi uma motivação extra para estar cá hoje e talvez pelo resto da minha vida”, acrescentou, antes de assumir que é inspirado por Cristiano Ronaldo, “um português que bate recordes e tenta ganhar todos os dias”. “Já vi jogos do Tottenham, conheço os jogadores, conheço um pouco melhor o Eric Dier porque jogou em Portugal e conheço também o treinador. Todos os jovens jogadores querem trabalhar com ele porque é um dos melhores, é fantástico”, acrescentou, entre elogios à forma como foi recebido pelos responsáveis do clube londrino.

Zé Luís também a caminho do Tottenham por empréstimo?

Esta pode não ser a única transferência da Primeira Liga para o Tottenham, com a imprensa inglesa a dar conta do interesse dos londrinos numa cedência também do avançado internacional cabo-verdiano do FC Porto Zé Luís – que, por não ter passaporte português, teria de passar primeiro pela aprovação do Painel de Exceções da Premier League, como é habitual nos reforços que chegam sem cumprir os pressupostos previstos. Antes do antigo jogador do Lokomotiv de Moscovo contrato este verão pelos azuis e brancos, que leva oito golos em 20 encontros esta época, foram também ventilados os nomes de Cavani (PSG), Piatek (AC Milan) e Llorente (Nápoles).

De referir que o português tem igualmente nos dragões uma boa fonte de recrutamento, como se viu logo em 2004 quando se mudou da Invicta para o Chelsea e levou consigo os defesas Ricardo Carvalho (30 milhões) e Paulo Ferreira (20 milhões) para começar a construir a base da equipa que seria bicampeã inglesa. Mais tarde, na segunda passagem pelos blues, também Cristian Atsu chegou ao clube em 2013/14 por três milhões. O português apostou ainda em Ricardo Quaresma em 2008, no primeiro ano no Inter, por 24,6 milhões de euros.