O Japão anunciou esta quinta-feira o primeiro caso de uma pneumonia viral, causada por um novo tipo de coronavírus, com origem na cidade chinesa de Wuhan, onde matou já uma, passou e infetou 40.

O paciente é um cidadão chinês, de 30 anos, que reside na prefeitura japonesa de Kanagawa, no sul de Tóquio, mas que visitou Wuhan no início do ano, disse o Ministério da Saúde japonês. O homem deslocou-se a um centro médico no mesmo dia em que regressou ao Japão, em 6 de janeiro, depois de três dias com febre. No dia 10 de janeiro foi hospitalizado e teve alta na quarta-feira, após os sintomas terem diminuído, acrescentou o ministério.

Os testes do Instituto de Doenças Infecciosas do Japão deram positivo para o novo tipo de coronavírus na quarta-feira.

Este é o segundo caso registado fora da China, já um outro tinha sido detetado na Tailândia.

As autoridades chinesas disseram que a doença teve origem num mercado de mariscos situado nos subúrbios de Wuhan, cidade no centro do país e um importante centro de transporte doméstico e internacional. Segundo o testemunho do paciente japonês, durante a viagem a Wuhan ele não visitou esse mercado, mas poderá ter estado em contacto com um dos doentes chineses.

Na quarta-feira, as autoridades de saúde de Wuhan admitiram a possibilidade de que aquela pneumonia seja transmissível entre seres humanos, referindo o caso de um casal em que o marido, trabalhador no mercado, desenvolveu a doença antes da mulher, que não se deslocou ao local.

Os casos de pneumonia viral alimentaram receios de uma potencial epidemia, depois de uma investigação ter identificado a doença como um novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causam infeções respiratórias em seres humanos e animais e são transmitidos através da tosse, espirros ou contacto físico.

Alguns destes vírus resultam apenas numa constipação, enquanto outros podem gerar doenças respiratórias mais graves, como a pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou mais de oito mil pessoas em todo o mundo. Até ao momento, os sintomas descritos para a pneumonia viral de Wuhan são febre e fadiga, acompanhados de tosse seca e, em muitos casos, falta de ar.

O alerta de disseminação do vírus foi dado depois de o primeiro caso detetado fora da China ter sido conhecido esta semana, o de um tailandês que visitou Wuhan.

Realizaremos estudos epidemiológicos preventivos e colaboraremos com organizações relevantes, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), para avaliar os riscos”, afirmou o Ministério da Saúde japonês.

Depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter alertado os hospitais de todo o mundo para a possibilidade de se depararem com um novo vírus, equacionando até um cenário de contágio em massa, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, garantiu aos jornalistas que não há qualquer motivo para alarme. “Não há grande probabilidade de chegar a Portugal: mesmo na China o surto foi contido, para o vírus chegar cá seria necessário que alguma pessoa tivesse vindo da cidade afetada para Portugal”, explicou.