Lev Parnas, que desempenhou um papel central na campanha de pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden e o filho, revelou esta quinta-feira em entrevistas ao canal MSNBC e ao The New York Times que o presidente norte-americano estava “ciente” de tudo o que estava a ser feito. O colaborador de Rudolph Giuliani, o advogado pessoal de Donald Trump, foi mesmo mais longe e afirmou: Trump “sabia exatamente o que se estava a passar”.

Ele estava ciente de todos os meus movimentos. Não faria nada sem o consentimento de Rudy Giuliani ou do Presidente [Trump]”, afirmou.

Na entrevista ao The New Yor Times, Lev Parnas disse que, embora não tenha falado diretamente com Trump sobre os passos que estava a dar, chegou a reunir-se com ele várias vezes. Mais: Giuliani ter-lhe-á dito estava a manter o presidente norte-americano informado e atualizado.

Aposto a minha vida em como Trump sabia exatamente tudo o que Giuliani estava a fazer na Ucrânia”, disse.

Parnas já forneceu documentação que comprova as suas afirmações à Câmara dos Representantes, tendo a câmara baixa do poder legislativo norte-americano divulgado a mesma esta terça-feira. Um desses documentos é uma carta de Donald Trump a solicitar ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, o anúncio público de uma investigação a Joe Biden e ao filho.

O colaborador de Giuliani acusou ainda o procurador-geral William Barr de saber “de tudo”. “Era impossível não saber”, afirmou, justificando: “Barr era parte da equipa” responsável por pressionar a Ucrânia.

Parnas reconhece ainda que o seu “maior arrependimento foi ter confiado demasiado”. “Pensei que estava a ser patriota e a ajudar o Presidente”, adiantando ainda que pensou que “não havia hipótese” de se “meter em apuros ou fazer algo errado”, uma vez que estava a “ouvir o Presidente e o seu advogado.”

As entrevistas foram divulgadas esta quarta-feira, horas antes de terem sido formalmente apresentados no Senado, a câmara alta parlamentar norte-americana, os dois artigos que fundamentam o processo de destituição do Presidente Donald Trump.

Apesar de marcar o início oficial do processo judicial de impeachment de Trump, esta sessão é puramente formal, uma vez que o julgamento propriamente dito, que será liderado pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, só arrancará na terça-feira.