Se é amante de superdesportivos, provavelmente já ouviu falar do Chiron e do facto de a Bugatti ter limitado a sua produção a 500 unidades, que começaram a ser entregues a clientes no final de 2017. Possivelmente, também ouviu falar do Bugatti Divo (40 unidades, 5 milhões de euros a unidade), do Bugatti Centodieci (10 unidades, 8 milhões de euros cada) e do Bugatti La Voiture Noire, exemplar único vendido por 11 milhões de euros – preços antes de impostos. O que têm em comum? A base Chiron. Mas quem disse que o cúmulo da exclusividade não se podia reinventar?

Manny Khoshbin, um homem de quem talvez nunca tenha ouvido falar, leva muito a sério a sua colecção de automóveis e, para enriquecê-la, tratou de assegurar que o seu Chiron seria único. Único by Hermès.  O desejo do coleccionador iraniano radicado na Califórnia levou nem mais nem menos do que quatro anos a concretizar-se, mas finalmente pode ocupar um lugar (de destaque) na garagem de Khoshbin.

Manny Khoshbin

Da colecção de automóveis do empresário e youtuber fazem parte modelos como os McLaren Senna e o P1, Porsche 935, Carrera GT e 911 GT3 RS, bem como vários Mercedes-Benz SLR McLaren, Koenigsegg Agera RS, diferentes Bugatti e um Pagani Huayra, igualmente estilizado pela Hermès. Mas esta garagem de luxo foi elevada a hipérbole com a entrega do Chiron “habillée par Hermès”.

A Bugatti é francesa, a Hermès também e ambas dizem “oui” sempre que lhes é solicitado um projecto altamente personalizado. Foi o caso. A origem deste Chiron, exemplar único, remonta a 2016, altura em que a Bugatti ainda nem sequer tinha começado a fazer as primeiras entregas do seu hiperdesportivo.

O “essencial” mantém-se: sob o capot, encontra-se o W16, com 8,0 litros, quatro turbocompressores, uma potência de 1500 cv e um binário máximo de 1600 Nm. Mas tudo o que é “acessório” assume contornos de alta-costura. A começar na pintura que reveste a carroçaria, denominada ‘Hermès Craie’, um tom creme que também dá cor ao interior e, inclusivamente, às jantes. O habitáculo, como seria de esperar, mantém o nível de “cremosidade” e está longe de se furtar aos detalhes com que a Hermès vai fidelizando as elites. A escolha de materiais recaiu não no bom, mas no melhor: couro, lã e caxemira. O padrão da Hermès é aqui uma característica distintiva, em combinação com o tejadilho panorâmico em vidro duplo, designado Sky View. A rematar, para que não haja dúvidas quanto à singularidade deste Chiron, a protecção das soleiras das portas e a consola central exibem a inscrição de que se trata de um Chiron “decorado” pela Hermès.