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Ao longo dos anos, têm-se multiplicado as entrevistas de colegas, amigos e conhecidos de Cristiano Ronaldo que testemunham o trabalho árduo e o esforço quase incansável do jogador português. Desde as recordações de que era sempre o último a deixar o treino, a memória de que raramente tinha uma folga sem passar no ginásio do clube ou a garantia do total profissionalismo, entrega e dedicação do capitão da Seleção Nacional. Entre antigos companheiros, ex-treinadores e dirigentes, as histórias mais caricatas acabam por ser contadas por aqueles que, mais próximos do que os restantes, viveram com Ronaldo os momentos que o definem enquanto atleta de alto nível.

Um deles, José Semedo, é atualmente médio do V. Setúbal e cresceu com Cristiano Ronaldo na Academia do Sporting em Alcochete, acabando por permanecer um dos amigos mais próximos do jogador da Juventus ao longo dos anos. Esta semana, também no seguimento do jogo polémico disputado entre o V. Setúbal e o Sporting no Bonfim no passado fim de semana, Semedo deu uma longa entrevista ao jornal Record e falou sobre o amigo, Ronaldo, desvendando mais uma das tais histórias que definem o jogador. Ronaldo ainda estava no Real Madrid, Semedo acompanhou o amigo durante uma deslocação à China e no voo de regresso à capital espanhola já só pensava em descansar.

“Lembro-me de que estávamos a voltar da China para Madrid. Estávamos quase a chegar, o piloto que só faltava uma hora. De pernas esticadas, já só estava a imaginar aquele spa na casa dele, meter-me na piscina e umas massagens para relaxar. Só pensava nisso. Chegámos a Madrid às 2h30. Ele foi para o quarto e depois aparece com uns calções na mão e diz-me: ‘Seme, vamos correr’. Fiquei a olhar para ele mas não podia recusar e respondi ‘sim, sim, dá cá os calções’. Só pensava: ‘Este gajo é maluco'”, confessou o jogador do V. Setúbal, noutro dos inúmeros testemunhos que atestam a capacidade de trabalho impressionante de Cristiano Ronaldo.

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Este domingo, em Turim, Cristiano Ronaldo voltava à equipa da Juventus depois de ter perdido o último jogo, contra a Udinese e a contar para a Taça de Itália, devido a uma crise de sinusite. O jogador português entrava diretamente para o onze da equipa de Maurizio Sarri, ao lado de Dybala, e tinha como adversário o Parma de Bruno Alves. O histórico conjunto italiano entrava no jogo contra a Juventus em sétimo lugar, a espreitar as posições que dão acesso às competições europeias, e a equipa de Turim tinha a oportunidade de abrir quatro pontos de vantagem para o Inter Milão, que empatou fora com o Lecce.

Sarri voltou a poder contar com Cristiano Ronaldo depois de o jogador português ter falhado o jogo da Taça com a Udinese

Numa primeira parte em que Maurizio Sarri foi obrigado a fazer a primeira substituição ainda muito cedo, lançando Danilo no lugar do lesionado Alex Sandro, a primeira grande oportunidade de golo surgiu por intermédio de Cristiano Ronaldo, que rematou rasteiro para uma boa defesa de Sepe depois de bailar à frente da defesa do Parma (24′). Na jogada seguinte, na sequência do canto que ele próprio conquistou, o jogador português voltou a ficar perto do golo ao cabecear por cima.

Numa altura em que ambas as equipas já pensavam no intervalo e o Parma até estava temporariamente reduzido a dez unidades, por lesão do avançado Inglese, Ronaldo acabou por abrir o marcador e chegar ao 15.º golo esta temporada na liga italiana. Num movimento que tentou várias vezes ao longo da primeira parte, o jogador português apareceu a desenhar uma transição da esquerda para o meio e rematou à entrada da grande área: a bola ainda desviou num defesa adversário e enganou Sepe, que não teve hipótese. Apesar da vantagem e do ascendente que mostrou durante toda a primeira parte, a Juventus ia para o intervalo com a noção de que o Parma estava a conseguir fechar os caminhos que davam acesso à própria baliza através de um meio-campo muito combativo e de uma defesa organizada quase na perfeição. Entretanto, Cristiano Ronaldo era já o primeiro jogador da Juventus a marcar em sete jornadas consecutivas da Serie A desde o francês Trezeguet, em 2005.

Na segunda parte, Danilo foi o primeiro a ficar perto do golo com um bom remate de fora de área: o lateral ex-FC Porto recebeu de Dybala, que fez a assistência de calcanhar, e atirou rasteiro para uma boa defesa de Sepe com a bola a raspar ainda no poste (51′). O Parma acabou por conseguir chegar ao empate pouco depois, por intermédio do avançado Cornelius, que saltou entre Ronaldo e Ramsey para cabecear ao primeiro poste na sequência de um canto e não deu hipóteses ao guarda-redes Szczęsny. A igualdade, porém, durou apenas três minutos — e foi anulada pela dupla que nas últimas jornadas tem sido o abono de família da Juventus.

Dybala apareceu em velocidade na direita e cruzou rasteiro e atrasado assim que entrou na grande área do Parma. Cristiano Ronaldo, vindo de trás e a acompanhar todo o lance, apareceu em velocidade e rematou de primeira para o poste mais distante, repondo a vantagem da equipa de Sarri. Ao bisar e somar mais dois golos à conta pessoal desta temporada, o jogador português tornou-se o único a marcar pelo menos 15 golos nas últimas 14 épocas nas cinco principais ligas europeias e chegou aos 11 golos em sete jogos.

Até ao final, Sarri ainda juntou Higuaín a Ronaldo e Dybala mas a Juventus acabou por preocupar-se mais em segurar a vantagem mínima do que em aumentar os números no marcador. Cristiano Ronaldo, que já leva 16 golos na Serie A esta temporada (só atrás dos 23 de Immobile, da Lazio), voltou a valer uma vitória à Juventus e a equipa de Maurizio Sarri cavou assim um fosso de quatro pontos de distância para o Inter Milão.