Milhares de pessoas marcharam este sábado em Los Angeles na quarta edição da “Marcha das Mulheres”, onde a destituição de Trump, o fim da violência sexual e a proteção dos direitos femininos foram os grandes temas.

Num palco montado à frente da autarquia de Los Angeles, onde a paridade salarial entre homens e mulheres foi abordada pelo atual ‘mayor’, Eric Garcetti, a atriz Mira Sorvino protagonizou um dos momentos mais incisivos do dia de protesto.

“Os predadores que anteriormente gozaram de imunidade e poder para magoar e destruir as oportunidades das pessoas trabalharem em ambientes seguros e justos estão a ser, historicamente, trazidos à Justiça”, declarou Sorvino.

“Por causa da bravura de centenas de mulheres, homens e crianças que disseram a verdade, os Harvey Weinsteins, Jeffrey Epsteins, Bill Cosbys e R. Kellys estão finalmente a perceber que nós, como sociedade, deixámos de tolerar a sua predação, não importa quão populares sejam”, acrescentou.

Mira Sorvino foi uma das atrizes que acusou de assédio sexual Harvey Weinstein, que está a ser julgado por violação.

A atriz Rosanna Arquette já tinha estado em palco para lembrar que passaram dois anos desde que o movimento Me Too abalou poderosos em Hollywood e em outras indústrias.

“Agora, mais que nunca, a misoginia está a fincar calcanhares e a negar transgressões. São pessoas que não querem acabar com o ciclo de abusos e se sentem ameaçadas pela mudança”, disse Arquette. “Não vamos ficar imóveis enquanto predadores tentam destruir as nossas carreiras”, destacou.

No meio da multidão, que empunhava cartazes onde se podia ler “A traição não é uma política externa”, “Pussy Power” e “Impeach & Remove”, estava o balão gigante que representa o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um bebé. Muitos manifestantes, incluindo homens, usaram a carapuça cor de rosa que se tornou símbolo da resistência à atual Casa Branca.

“O Me Too foi um ponto de rutura”, disse à Lusa Chantal Cousineau, atriz e membro do comité de mulheres da SAG-Aftra, federação sindical que representa 160 mil profissionais do entretenimento. “O estado de coisas de abuso e desigualdade nunca foi sustentável”, sublinhou.

Cousineau, que em 2017 esteve na marcha em Washington, D.C. após a tomada de posse de Trump, explicou que o protesto continua em defesa de “direitos iguais, salários iguais, cuidados de saúde iguais”. A atriz considerou que a mensagem está a funcionar, mas que o progresso demora tempo.

“Vamos fazer de 2020 o ano em que mudamos este país para melhor”, pediu o autarca de Los Angeles Eric Garcetti, depois de a ‘primeira dama’ da Califórnia, Jennifer Siebel Newsom, ter afirmado que “as mulheres vão liderar” a transformação.

A seguir, a congressista Maxine Waters garantiu que os democratas vão “lutar com tudo” para remover o Presidente através do processo de destituição que está a decorrer.

Com momentos musicais que incluíram Seal a cantar “Stand By Me” e o seu clássico “Kiss From a Rose”, pelo palco passaram também as atrizes Marlee Matlin, que denunciou o “racismo e intolerância de Trump” e Lisa Ann Walter, que apelou ao voto pelos interesses das mulheres.

Após anos de controvérsia por ser republicana, a agora ativista transexual Caitlyn Jenner participou na marcha pela primeira vez e disse que as mulheres “têm o poder de influenciar as comunidades, famílias, amigos e colegas e mudar o curso do país”.

Constance Wu, da série “Fresh Off the Boat”, afirmou que era urgente proteger os direitos reprodutivos das mulheres, perante as tentativas de anular o direito à interrupção voluntária da gravidez.

A marcha, que se destacou pela diversidade de géneros, idades e etnias, reuniu menos pessoas que nos anos anteriores, após a primeira Marcha das Mulheres em Los Angeles ter sido a maior do mundo.

“A fadiga do protesto e dos voluntários é uma realidade”, disse à Lusa Chantal Cousineau. “No entanto, é um momento da história que precisa da nossa presença, esforço e atenção continuada”, afirmou a atriz, que é também membro do comité nacional de assédio sexual da SAG-AFTRA.

“Marchamos para ver e sentir fisicamente que somos mais fortes juntos”, adiantou. “Há energia na comunidade e escolhemos o dia de hoje para a celebrar de forma positiva”, disse, considerando que a marcha é “catártica” e permite lutar por todos, desde LGBT a mulheres com deficiências.

“Também marcho pelo meu filho, para que ele veja como a mãe se valoriza a si própria e às mulheres que precisam, para criar um feminista”, concluiu.

Segundo a Women’s March Global, houve um total de 51 marchas das Mulheres em 24 países com “milhões de mulheres e aliados”.