O presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu este domingo um “rever e alterar” das opções políticas em torno do espaço aéreo, pedindo, por exemplo, a “simplificação do processo de reembolso das passagens aéreas dos passageiros residentes”.

Em 2015, com a liberalização do espaço aéreo, vivemos nos Açores uma verdadeira revolução para a mobilidade dos açorianos e para a alavancagem do turismo. Cinco anos depois, é possível rever e alterar. Mas para melhorar. Nunca para piorar. O limite máximo de 134 euros para os residentes e de 99 euros para os estudantes, em viagens de ida e volta ao continente, é uma conquista. Não admitimos andar para trás”, declarou o social-democrata.

Bolieiro falava na Madalena, na ilha do Pico, na sessão de encerramento do 24.º congresso do PSD/Açores. Para o líder dos sociais-democratas açorianos, “ninguém compreende que possa ser mais barato viajar para Lisboa do que para outra ilha dos Açores”, e nesse sentido “é preciso melhorar de forma substancial as acessibilidades internas, ajustando a oferta à procura, de forma flexível, sobretudo nas ilhas sem ligações ao exterior da região”.

Para as mercadorias, “é preciso promover soluções e modelos que facilitem o transporte de produtos frescos a preços competitivos e com frequências adequadas, quer no mercado interno, quer para o continente”, e a nível marítimo, nas ligações inter-ilhas, o PSD tem o “objetivo estratégico” de “reduzir significativamente os custos” e “manter e melhorar as acessibilidades e frequências às ilhas de menor dimensão“.

Impõe-se avaliar as atuais Obrigações de Serviços Público e o modelo existente, mediante o estudo de alternativas tecnicamente e economicamente mais vantajosas para todas as ilhas. No abastecimento de bens essenciais, não podemos arriscar ter qualquer ilha isolada, inacessível, em compasso de espera”, disse.

“Ninguém compreende” números da pobreza na região, diz Bolieiro

José Manuel Bolieiro considerou ainda que “ninguém compreende” os números de pobreza da região, onde “um terço da população” vive em situação de risco após “quase meio século de autonomia”.

Com quase meio século de autonomia e já em pleno terceiro milénio, ninguém compreende que um terço da população açoriana esteja a viver em situação de pobreza. Na próxima década, é ou não desejável e possível aproximar os Açores das melhores médias nacionais? Sim. É desejável e é possível”, considerou Bolieiro.

Para Bolieiro, “é sobretudo com o sucesso na Educação, na Cultura, na Saúde, que verdadeiramente se evita a pobreza“, e “é com investimento social que se dignifica e integra os mais pobres”.

E concretizou: “Uma sociedade justa não permite que os mais frágeis fiquem para trás. A pobreza e a exclusão social não são realidades novas. O que é novo é que hoje existem recursos suficientes para retirar as pessoas da pobreza e garantir-lhes progresso social”.

O PSD/Açores está reunido desde sexta-feira na ilha do Pico, no primeiro encontro magno dos sociais-democratas açorianos sob a liderança de José Manuel Bolieiro e com as eleições regionais deste ano como pano de fundo.

No 24.º congresso do PSD/Açores foram debatidas várias propostas temáticas, bem como a moção global de estratégia “Confiança”, apresentada por Bolieiro, eleito presidente em dezembro último.

José Manuel Bolieiro, vice-presidente de Rui Rio na direção nacional do PSD, foi eleito em dezembro líder do PSD/Açores, eleição para a qual era o único candidato, com 98,5% votos.

Presidente da Câmara de Ponta Delgada é o novo vice-presidente do PSD

Rui Rio renovou no sábado o mandato como presidente do PSD, com cerca de 53% dos votos na segunda volta das eleições diretas, enquanto o seu adversário, Luís Montenegro, teve 46,98%.

O líder social-democrata afirmou, após serem conhecidos os resultados das diretas, que o PSD não está “partido” e que conta com todos que trabalhem “com estabilidade e lealdade”.

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Partidos nos Açores reticentes com primeiras ideias do novo líder do PSD da região

A maioria dos partidos nos Açores que esteve no congresso do PSD regional mostrou-se este domingo reticente com as ideias do líder social-democrata, com a Aliança a ser o único partido a elogiar a intervenção de José Manuel Bolieiro.

Paulo Silva, responsável máximo do Aliança nos Açores, elogiou o discurso “construtivo” de José Manuel Bolieiro no encerramento do 24.º congresso do PSD/Açores.

Em alguns aspetos identificamo-nos muito com este discurso, há um cansaço governativo, um desgaste” do executivo regional, do PS, prosseguiu Paulo Silva.

Os socialistas, por Miguel Costa, traçaram um comparativo entre as palavras de Bolieiro na reunião magna do PSD e a sua atuação como presidente da Câmara de Ponta Delgada: “Houve um muito dizer e pouca concretização, um espelho do que temos em Ponta Delgada“, advogou o socialista.

O congresso, prosseguiu Miguel Costa, ficou ainda marcado por intervenções em que se disse “uma coisa e o seu contrário”, com discursos de “maior moderação e respeito pelos adversários” mas também protagonistas “mais extremistas” no uso da palavra.

O Bloco de Esquerda, pela dirigente Alexandra Manes, considerou que Bolieiro “não trouxe nada de novo” na sua intervenção, com “palavras repetidas” em que falou de “alternância no poder e não alternativa”. “De que forma se vai combater a precariedade e desigualdades sociais?”, interrogou ainda a bloquista.

PCP e CDS-PP, por seu turno, concordaram num ponto: o novo líder do PSD “não constitui alternativa ao projeto do PS”, declarou o comunista Ernesto Rodrigues.

O centrista Rui Martins foi mais longe: “O PSD é desde ontem [sábado], tanto a nível nacional como regional, é um partido social-democrata, disputa o mesmo eleitorado que o PS”, sendo o CDS-PP o partido da “direita democrática, dos princípios e valores”.

Já o PPM, por Manuel São João, definiu o discurso do líder do PSD/Açores como “vago e impreciso”.

José Manuel Bolieiro está a tentar não movimentar muito as ondas e esperar ganhar as eleições sendo o PS a perdê-las”, concretizou o monárquico.