A atriz brasileira Regina Duarte afirmou esta segunda-feira que iniciou um “período de testes” na Secretaria Especial da Cultura, pasta que foi convidada a liderar após a exoneração de um governante que parafraseou um discurso nazi.

Bolsonaro confirma demissão de secretário da Cultura e repudia ideologias totalitárias

“Nós [Regina Duarte e Governo] vamos “noivar”, vou ficar “noiva”, vou lá conhecer onde vou habitar, com quem vou conviver, quais são os “guarda-chuvas” que abrigam a pasta, enfim, a família. Noivo, noivinho”, afirmou a atriz ao jornal Folha de S.Paulo acerca do período de testes que passará no Governo brasileiro, após se ter reunido esta segunda-feira com o Presidente do país, Jair Bolsonaro.

Quero que seja uma gestão para pacificar a relação da classe [cultural] com o Governo. Sou apoiante deste executivo desde sempre e defendo a classe artística desde os 14 anos”, acrescentou ainda a atriz, sem confirmar, porém, os contornos do que acordou com Bolsonaro.

O chefe de Estado brasileiro fez também uso da metáfora do “noivado” para descrever o encontro com Regina Duarte, que “possivelmente trará frutos” culturais para o país. “Tivemos uma excelente conversa sobre o futuro da cultura no Brasil. Iniciamos um “noivado” que possivelmente trará frutos ao país”, escreveu esta segunda-feira o chefe de Estado na rede social Twitter, partilhando ainda uma fotografia sua ao lado de Regina Duarte, no Rio de Janeiro.

O Palácio do Planalto, nome oficial do local de trabalho da Presidência do Brasil, informou esta segunda-feira à imprensa local que a atriz se deslocará a Brasília, na próxima quarta-feira, para conhecer a Secretaria Especial da Cultura. “Após conversa produtiva com o Presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira, 22, para conhecer a Secretaria Especial da Cultura do Governo federal. “Estamos a noivar”, disse a artista após o encontro ocorrido nesta tarde no Rio de Janeiro”, disse o Planalto em comunicado.

Regina Duarte foi convidada para o cargo cultural na passada sexta-feira, no mesmo dia em que Roberto Alvim foi demitido da Secretaria da Cultura por ter parafraseado partes de um discurso do ministro da Propaganda nazi, Joseph Goebbels, gerando uma onda de protestos.

A atriz ganhou fama em vários países como protagonista de “Malu Mulher” (1979), uma das séries de maior sucesso no Brasil, e na qual interpretou uma jornalista divorciada, que tentava ganhar a vida sozinha, e que na época lidava com questões nunca discutidas na televisão, como sexo, aborto ou drogas. Regina Duarte participou ainda em novelas de grande sucesso em Portugal como “Roque Santeiro”, “História de Amor” e “Páginas da Vida”.

Politicamente, a artista apoiou publicamente a eleição dos presidentes Fernando Collor (1990-1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que derrotaram o líder esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, em três eleições consecutivas.

Contudo, a sua posição nunca foi tão clara como em 2002, quando Regina Duarte apoiou o então candidato conservador José Serra e, numa propaganda da sua campanha eleitoral, cunhou o slogan “estou com medo”, numa referência a uma eventual, e posteriormente confirmada, vitória de Lula da Silva nas presidenciais.

Em 2018, a atriz declarou o seu apoio a Bolsonaro e, durante a campanha, visitou o agora chefe de Estado na sua residência no Rio de Janeiro, enquanto o político recuperava de uma facada que sofreu durante um comício eleitoral.