Cerca de três mil migrantes da América Central tentaram esta segunda-feira atravessar a ponte de Rodolfo Robles na fronteira da Guatemala para entrar no México, mas sentaram-se a meio do caminho quando encontraram os portões mexicanos fechados.

Os migrantes, que formam uma nova caravana que pretende chegar aos Estados Unidos e atualmente na cidade guatemalteca de Tecun Uman, exigiam passagem livre pelo México, entrando pela cidade de Hidalgo, algo que as autoridades mexicanas recusaram.

Um migrante, que recusou dar o nome, ficou perto dos portões fechados na ponte sobre o rio Suchiate e leu uma carta aberta do grupo ao Presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador.

Viemos pacificamente para tentar iniciar um diálogo com o Governo, a fim de chegar a um acordo no qual todos os membros da caravana terão permissão para passar livremente pelo território mexicano”, anunciou.

A atitude pacifica contrasta com o que aconteceu no sábado, quando tropas mexicanas entraram em confrontos com alguns migrantes, lançando gás lacrimogéneo e fechando o portão, enquanto centenas de migrantes forçaram a entrada.

Denis Contreras, um hondurenho que tenta pela segunda vez a chegada a território norte-americano, traçou o plano na noite de domingo aos seus colegas migrantes abandonados na cidade fronteiriça: primeiro vão os homens, depois as famílias e as mulheres que viagem sozinhas com crianças.

Contreras, que lidera o grupo desta segunda-feira, disse que não ia desistir, depois de já ter visto negado o pedido de asilo político e ter sido deportado de San Diego, no estado da Califórnia. Porém, disse, se regressar às Honduras os gangues criminosos vão matá-lo ou à sua família.

À sua volta, centenas de migrantes entoavam: “Estamos aqui, não vamos a lado nenhum e, se nos expulsarem, vamos voltar!”, “Viva México” ou “México lindo, aqui vamos nós”, os slogans da caravana composta por migrantes de El Salvador, Nicarágua e Guatemala.

O México aumentou os esforços para evitar que os migrantes chegassem ao seu destino desejado — os Estados Unidos –, sob a ameaça do bloqueio comercial e outras sanções por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Depois de duas caravanas terem chegado à fronteira norte-americana em 2018 e no início de 2019, o México começou a reprimir essas tentativas e, em abril do ano passado, as forças de segurança travaram a última tentativa de uma caravana, recolhendo os migrantes que caminhavam pela autoestrada.

Enquanto a caravana desta semana se aproximava, o México enviou soldados para patrulhar a fronteira sul, com a Guatemala, e monitorizou a área com drones. Caravanas anteriores convenceram as autoridades mexicanas a permitirem a travessia pela fronteira do Sul, por razões humanitárias ou pela via da força.

O Governo mexicano declarou que os esforços feitos durante o fim de semana foram um sucesso, dizendo que as tentativas dos migrantes entrarem no país na noite de domingo de “maneira desorganizada” foram “infrutíferas”.

Os responsáveis mexicanos apresentaram nos últimos dias outras possibilidades aos migrantes que chegam até à fronteira com o seu território, ao prometer trabalho e uma hipótese de se manterem no país — embora os detalhes fossem escassos, o que levou a que muitos temessem a deportação. A oferta de emprego, e não apenas o estatuto legal ou de asilo, representou uma reviravolta nos esforços do México de tentar encontrar soluções humanitárias para os migrantes centro americanos que fogem da fome e violência nos seus países.

Não ficou claro qual o tipo de trabalho que o México tem em mente para os migrantes, tendo em conta que metade da população mexicana é pobre e milhões estão no desemprego.