O Movimento Zero concentrou esta terça-feira de manhã cerca de 100 manifestantes junto ao Aeroporto de Lisboa, num protesto silencioso que ainda decorre e onde a única voz que se ouviu foi a de um dos fundadores do sindicalismo em Portugal. No Porto, em Faro e no Funchal, a vigília não está a ter tanta adesão.

Em declarações aos jornalistas em Lisboa, António Ramos, antigo presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, apontou os baixos ordenados da PSP, “que estão próximos do salário mínimo nacional”, o corte nas reformas ou a “falta de agentes nas esquadras”, como alguns dos motivos que levam a mais um protesto da polícia.

Às 10h, hora marcada para o início da vigília nos aeroportos portugueses, havia cerca de 10 elementos que fazem parte do Movimento Zero, embora sem estarem identificados como tal, um número que foi crescendo com o passar do tempo. Cerca de uma hora depois, havia já cerca de meia centena de elementos do lado de fora do Aeroporto Humberto Delgado, que se mantiveram sempre em silêncio e recusaram prestar declarações aso jornalistas. À Lusa, António Ramos, um dos fundadores do sindicalismo no país, explicou que as pessoas “não querem dar a cara por causa de processos disciplinares”.

“Já eu não tenho medo nenhum”, garantiu à Lusa António Ramos, que está na pré-reforma e que em 1980 começou a lutar pelo direito de a polícia ter um sindicato, objetivo só conseguido em 2003. António Ramos aproveitou a vigília para criticar a nova lei sindical, classificando-a de “um aborto” por retirar alguns direitos conseguidos ao longo de duas décadas de luta.

Sobre o facto de os protestos agendados acontecerem numa altura em que estão a decorrer as negociações com o Governo, o dirigente sindical considerou que estas são apenas “uma manobra de distração”. Devido à vigília promovida pelo Movimento Zero, um movimento social inorgânico criado em maio de 2019 por elementos da PSP e da GNR, houve reforço policial no Aeroporto de Lisboa.

No aeroporto de Faro, o protesto do Movimento Zero reunia às 11h aproximadamente 20 pessoas, que se concentravam junto às partidas da aerogare, sem ostentarem cartazes ou as camisolas brancas que identificam o movimento.

No aeroporto Sá Carneiro, no Porto, pelas 10h45 não havia qualquer protesto organizado, apenas um grupo de pessoas que se declarou solidária com o Movimento Zero sem se identificar.

Já na Madeira, no aeroporto do Funchal não houve qualquer vigília.