O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que espera adjudicar e iniciar “neste semestre” as obras das novas linhas do Metro do Porto, cujo “prazo de entrega de propostas” termina a 18 de fevereiro.

O prazo de entrega das propostas termina dia 18 e, esperando que não tenhamos muitos incidentes de contencioso [entre concorrentes, no âmbito do concurso público], isso permitirá adjudicar a obra a tempo de ela se iniciar neste semestre de 2020″, afirmou António Costa na cerimónia de assinatura do contrato para aquisição de 18 novas viaturas para o Metro do Porto, as primeiras a receber em 2021.

O primeiro-ministro referia-se às empreitadas da nova linha Rosa, no Porto, e do prolongamento da linha Amarela até Vila d’ Este, em Vila Nova de Gaia, um investimento total de 307 milhões de euros.

Já o presidente da empresa Metro do Porto, Tiago Braga, foi mais cauteloso, apontando para o “segundo semestre do ano” o início das obras.

Quanto às novas linhas do Metro do Porto, a empreitada acrescentará seis quilómetros e 10 milhões de novos clientes à rede. O prolongamento da Linha Amarela diz respeito ao troço entre entre Santo Ovídio e Vila d’Este, em Vila Nova de Gaia, ao passo que a Linha Circular (Linha Rosa) será feita entre os Aliados/Praça da Liberdade e a Casa da Música, no Porto.

No início de abril, quando foram lançados os concursos para as duas obras, o ministro do Ambiente apontou para três anos, em 2022, o prazo de conclusão das empreitadas. O aviso publicado no Diário da República (DR) indica “42 meses” (quatro anos) como “prazo de execução do contrato” da construção da linha Rosa do Porto, com o valor base de 175 milhões de euros.

Quanto à obra de Vila Nova de Gaia, o prazo de execução previsto no DR é de “34 meses” (dois anos e dez meses), com o valor base de 95 milhões de euros.

O ministro do Ambiente anunciou, também esta terça-feira, que as 18 novas viaturas do metro do Porto devem chegar o mais tardar no terceiro trimestre de 2021 e destacou a poupança de seis milhões de euros conseguida no concurso de aquisição.

O governante lembra que este aumento de veículos para o Metro do Porto resultou de uma inversão de política deste Governo, que no início do mandato assumiu a relevância do transporte coletivo, deixando de o olhar como “um fardo financeiro”. “De facto, em 2019 nós atingimos e ultrapassámos os nossos objetivos. Começando a contar o PART a partir de 1 de abril, nas duas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, a evolução da procura no conjunto das empresas do Estado foi superior a 10%. No Metro do Porto atingiu os 14% e no conjunto dos operadores privados na Área Metropolitana de Lisboa e Área Metropolitana do Porto o valor do aumento foi igual, mais 18%”, afirmou.

“Significou na Área Metropolitana de Lisboa 477 milhões de viagens e na Área Metropolitana do Porto 175 milhões, ou seja, mais 30 milhões de viagens do que no ano anterior”, revelou João Pedro Matos Fernandes.  Para o ministro, “se entre 2016 e 2019, houve este aumento da utilização do transporte coletivo ele foi sobretudo a partir da compra de bilhetes individuais. Foi no ano de 2019 que o crescimento voltou a estar fundado nos passes mensais”. Matos Fernandes considera que se a procura cresceu como cresceu, só há duas razões que podem levar os cidadãos a optar pelo transporte individual em detrimento do coletivo, são elas: a fragilidade da oferta e o excesso da procura.

Quanto a este último caso, o ministro reconhece que o aumento da oferta de 2,5% no caso do Metro do Porto compara com os 14% da procura, pelo que tem de ser completado. “Por isso este projeto de aquisição das 18 novas viaturas, estamos a falar em termos de veículos em aumentar quase 20%”, revelou.

Este número, acrescentou o ministro, não pode nunca fazer esquecer o que está a ser feito em outras parcelas do país e também na Área Metropolitana do Porto “com a aquisição para ao país todo de 709 autocarros de elevada performance ambiental, dos quais 274 são para a STCP” e “109 já estão em funcionamento”.

Matos Fernandes destacou ainda a poupança de 6 milhões de euros face ao investimento previsto, conseguida no concurso de aquisição destas 18 viaturas para a Metro do Porto.

Eles vão começar a ser entregues desejavelmente já, de acordo com o contrato, no terceiro trimestre do próximo ano, de acordo com a disponibilidade do fabricante no segundo trimestre do próximo ano. E uma coisa sabemos quando estiverem concluídas as obras de expansão da rede de metro do Porto – a nova Linha Rosa e expansão da Linha Amarela – todos estes veículos estarão em funcionamento”, anunciou.

O governante revelou ainda dos dois mil milhões de euros de investimento no combate às alterações climáticas, uma parcela muito expressiva está atribuída às famílias e às empresas.

“Os cerca de 15% de investimento público é essencialmente na área da mobilidade e dos transportes por isso para a Área Metropolitana do Porto para o próximo ciclo comunitário, de acordo com o Plano Nacional de Investimentos, há aproximadamente 800 milhões de euros. E digo uma coisa que já disse (…) ainda estou há espera que a área metropolitana me telefone ou bata à porta a dizer quais são os projetos”, disse.

Para o governante este é mesmo “um desafio” da Área Metropolitana do Porto a quem cabe definir os projetos.

A Metro do Porto assinou esta terça-feira o contrato para a aquisição, por 49,6 milhões de euros, de 18 composições à empresa chinesa CRC Tangsthan que vai permitir disponibilizar mais 60 mil lugares diários.

Segundo a Metro, os novos 18 veículos – com capacidade de 252 lugares, 64 dos quais sentados – serão entregues entre 2021 e 2023, ao ritmo de um por mês. A frota da Metro do Porto é, atualmente, constituída por 102 veículos: 72 do tipo Eurotram e 30 do tipo Tram-train.