Com a reentrada do Sporting no voleibol, a modalidade que tinha outras equipas na disputa de títulos como Fonte do Bastardo ou Sp. Espinho tornou-se bicéfala na luta entre rivais lisboetas com os leões a sagrarem-se campeões em 2018 na final mais emocionante dos últimos tempos e o Benfica a recuperar o título no ano passado. Este ano, na fase regular do Campeonato, essas diferenças acentuaram-se: se nas duas últimas épocas ainda tinha havido deslizes com Sp. Espinho, Fonte do Bastardo (que continuam a ter formações competitivas e de qualidade) e Castêlo da Maia, agora o dérbi da 17.ª jornada chegava com os dois conjuntos a somarem por vitórias os jogos disputados (sempre por 3-0 e 3-1, não cedendo pontos) à exceção do jogo entre ambos em Alvalade.

Ainda assim, nem tudo são semelhanças entre Benfica e Sporting: enquanto os encarnados têm uma base que se manteve da última época e que foi reforçada para realizar o sonho de atingir a fase de grupos da Liga dos Campeões (com uma histórica vitória com o Verva Varsóvia e duas derrotas em exibições positivas com Perugia e Tours), os verde e brancos estão a ter um novo ano zero com outro técnico (Gersinho) e muitas contratações que se juntam aos experientes Miguel Maia, Ángel Dennis e João Fidalgo. Essa diferença de andamento e de rotinas, que já tinha feito a diferença na primeira volta em Alvalade, voltou a sentir-se – e até mais do que esperado.

“Temos a expetativa de ganhar e consolidar o primeiro lugar, que é onde estamos, embora saibamos que vai ser um jogo muito equilibrado e difícil. Temos a vantagem de jogar em casa com os adeptos do nosso lado e vamos tentar fazer uma grande partida. O voleibol merece, o Benfica merece e os últimos jogos têm mostrado que se criam aqui grandes ambientes para todos nos divertirmos”, dizia o capitão das águias, Hugo Gaspar, na antecâmara do dérbi, recuperando o aumento médio de espetadores que a presença na Champions também proporcionou.

Não esteve assim tanto público como nas noites europeias (do lado leonino estariam 20 a 30 adeptos, sem claques) mas o conjunto de Marcel Matz divertiu-se e muito. Depois de um início equilibrado e com o Sporting a ter algumas vantagens até de dois pontos, o Benfica disparou a meio com um parcial de 6-0 que passou o resultado para 15-9 e quase sentenciou o primeiro set, que terminaria com 25-19 após uma ligeira recuperação dos verde e brancos. A história repetiu-se no segundo parcial, com igualdades no marcador até mais um parcial avassalador das águias que conseguiram fechar com um inesperado 25-14. E como não há duas sem três, os encarnados fecharam o jogo com 25-21 depois de terem estado com sete pontos de vantagem já no final do set.

Com este resultado, o Benfica consolidou a liderança do Campeonato com 17 vitórias consecutivas e 50 pontos, mais quatro do que o Sporting, que somou a segunda derrota da temporada na Luz (a primeira sem pontuar), e em condição privilegiada para terminar a fase regular com o primeiro lugar e respetivo fator casa no momentos das decisões. “O nosso sistema de bloco e defesa hoje funcionaram muito bem. Muito mérito do serviço, onde entrámos fortes e com boa variação. Soubemos converter isso em pontos. Como o Sporting tem dois distribuidores que são mais baixos, soubemos aproveitar bem o jogo na rede. Hoje, entrámos com o nível de erro muito baixo”, resumiu Marcel Matz, que ainda assim recusa que as decisões desta primeira fase estejam resolvidas.