“Vamos avaliar amanhã [hoje] de manhã como está, vamos ver se consegue estar bem para três jogos seguidos”. A frase pertence a Maurizio Sarri e é tudo menos datada – antes do jogo com a Udinese para a Taça de Itália o técnico da Juventus tinha deixado a questão em conferência de imprensa e repetiu a ideia na antecâmara da receção à Roma de Paulo Fonseca para a mesma competição, desta feita nos quartos. A frase foi a mesma, o que se seguiu mudou: após o ataque de sinusite que afastou o português do encontro da semana passada, desta vez foi a jogo e com o desafio de marcar o primeiro golo na prova, a única em que continuava em branco desde que está em Turim. Afinal, e como diz Sarri, o número 7 é “um animal que se move por objetivos”.

E se a Vecchia Signora estava a atravessar um dos melhores momentos da época depois da derrota na Arábia Saudita para a Supertaça frente à Lazio no final de 2019, a grande fase de Cristiano Ronaldo já vem desde dezembro, após um mês de novembro condicionado pela lesão no joelho e pela falta de golos – daí para cá, entre Serie A e Liga dos Campeões, marcara 12 golos em nove jogos (ou seis golos nos últimos três encontros). Mais do que recordes, essa série do capitão da Seleção Nacional fez com que o treinador transalpino assumisse como nunca a preponderância que o jogador tem na equipa, como ficou bem ilustrado depois do bis ao Parma no domingo (2-1).

“Ele é um campeão que às vezes cria um problema mas que resolve outros 100. Portanto, está claro que toda a equipa deve jogar à sua volta. Acho que é uma questão de condição física e mental. Ele encontrou um grande brilho físico, é sempre um animal que se alimenta de golos. O facto de ter começado a marcar de forma repetida colocou-o com grande confiança”, referiu Sarri antes do duelo com o português Paulo Fonseca que, dez dias depois do desaire em casa com a Juventus para a Serie A (2-1) marcado pela grave lesão de Demiral, pretendia inverter o histórico do conjunto da capital nas deslocações ao novo estádio dos bianconeri (nove jogos, outras tantas derrotas).

“Os jogadores ainda não recuperam do jogo com o Génova [vitória por 3-1]. Só fizemos treino tático. Ainda assim estão confiantes e motivados, vamos ver amanhã [hoje] como se conseguem exibir perante uma grande equipa como a Juventus. Só Fazio está disponível, o Perotti não recuperou, o Pastore e o Mkhitaryan também não. É verdade que nunca vencemos neste novo estádio mas isso não conta, o importante é jogar com ambição e vontade de vencer para inverter essa tendência. O jogo da Serie A? Pode ajudar tanto a Roma como a Juventus. Revimos essa partida para perceber o que falhámos e não podemos cometer os mesmos erros”, comentou o ex-técnico do Shakhtar.

Ronaldo jogou mesmo e demorou apenas 26 minutos para dar prolongamento à série concretizadora, dando razão a… Mbappé. “Sem tirar nenhum mérito a Messi, a minha inspiração é na carreira de Ronaldo”, tinha dito esta terça-feira o avançado francês à Gazzetta dello Sport. “A Juventus já era uma equipa forte e isso é visível ao terem estado na final da Champions nas últimas temporadas mas faltava qualquer coisa que fizesse a diferença. Agora, contam com Cristiano Ronaldo, que é um jogador que faz as equipas ganharem coisas importante, pelo que a Juventus está entre os favoritos ao lado do Barcelona, Real Madrid, Liverpool e os de sempre”, acrescentou.

O português até teve uma primeira tentativa desenquadrada com a baliza mas aproveitou uma saída rápida para o ataque para fazer uma aceleração que deixou o opositor direto pelo caminho e desbravou o ângulo para rematar de pé esquerdo sem hipóteses para Pau López. Só em 2020, Ronaldo passou a ter sete golos em quatro jogos, além de ter chegado já aos 30 golos na presente temporada juntando Juventus e Seleção. Mas nas redes sociais já há quem pense mais à frente e, com o 719.º em encontros oficiais na carreira, o capitão da Seleção Nacional, que já é o quinto melhor marcador na história do futebol mundial, ficou apenas a 38 golos de… Edson Arantes do Nascimento, o mítico Pelé que brilhou no Santos e no New York Cosmos nas décadas de 50, 60 e 70.

O golo de Ronaldo teve sobretudo o condão de soltar o melhor jogo ofensivo da Juventus, que optou desta vez por fazer descansar Dybala. E se é verdade que Paulo Fonseca conseguiu que a equipa não entrasse a perder 2-0 logo aos dez minutos como no jogo da Serie A, também é verdade que teve dificuldades em travar a avalanche ofensiva dos visitados com Betancur (38′) e Bonucci (45+2′), após assistências de Douglas Costa, a fazerem o 3-0 que se registava ao intervalo e que foi reduzido com um golo que atribuído a Buffon na própria baliza (50′).