É quase caricato que um fabricante de automóveis que em 2019 comercializou apenas 400.000 veículos, apesar de ter vendido quatro vezes mais do que ano anterior, tenha hoje um valor em bolsa superior a 100 mil milhões de dólares. Com isto, a Tesla ultrapassou o Grupo VW e assumiu-se como segunda marca mais valiosa do mercado, logo a seguir ao Grupo Toyota, que ainda usufrui de uma vantagem considerável, ao ter atribuído um valor próximo aos 200 mil milhões.

O final do ano foi espectacular para os accionistas da Tesla, que assistiram a uma subida em flecha do valor das acções. O sucesso da Gigafactory 3 na China, com o arranque sem problemas do Model 3 e a previsão para breve do Model Y, a juntar ao anúncio da Gigafactory 4 na Alemanha, tem feito as acções do fabricante americano bater recorde atrás de recorde.

Foi isto que lhe permitiu ultrapassar a General Motors e a BMW, a 5ª e a 6ª do ranking, ambas com um valor próximo dos 50 mil milhões, para de seguida, num espaço de cerca de um mês, bater a Daimler (54 mil milhões) e a VW, cujo valor de mercado ronda os 99 mil milhões de dólares. A 579,93 dólares a acção, a Tesla passou a valer 104 mil milhões, o que poucos julgavam possível.

Se poucos julgavam exequível esta valorização, aparentemente esse não era o caso de Elon Musk, o CEO da construtora e o maior accionista, com 20% da companhia. Para demonstrar aos seus colegas da administração a confiança que depositava na sua gestão e no plano de desenvolvimento de novos veículos, Musk propôs em 2018 passar a trabalhar à borla, sem auferir qualquer vencimento. Mas, em troca, receberia 1,69 milhões de acções sempre que a valorização da Tesla aumentasse 50 mil milhões de dólares.

Ao saltar de 50 para 100 mil milhões de capitalização bolsista, a Tesla entregou um total de títulos que têm hoje um valor mil milhões de dólares. Contudo, ninguém espera que o CEO se desfaça das acções agora recebidas, aproveitando sim para incrementar (ainda mais) a sua quota na empresa que dirige.