Um dia depois de saber que estava a ser investigada por jornalistas, a 13 de dezembro, a empresária angolana Isabel dos Santos contratou a empresa de lobbying Sonoran Policy Group, avança o Quartz. A empresa terá estado ligada à campanha presidencial de Donald Trump.

Os dois contratos celebrados com a Sonoran Policy Group por Isabel dos Santos, agora divulgados, referem que a empresa terá de arranjar reuniões entre a empresária e acionistas nos EUA e Reino Unido. Além disso, têm também de aconselhar e garantir cobertura mediática para a filha do antigo Presidente angolano.

O Sonoran Policy Group é um grupo de lobbying que, além da Arábia Saudita, também trabalhou para países como a República Democrática do Congo, em trabalhos como evitar sanções dos EUA, ou o Bahrein.

Isabel dos Santos contratou o Sonoran Policy Group através da Terra Peregrin, uma empresa sediada em Lisboa que está ligada à Wise Intelligence, companhia sediada num paraíso fiscal. Esta empresa terá sido criada em 2014 para adquirir a PT, num negócio que não chegou a realizar-se, de acordo com o Quartz.

Robert Stryk, fundador do Sonoran Policy Group, chegou a ser conselheiro de Trump durante a campanha de 2016. Segundo Anna Massoglia, investigadora na organização Open Secrets que ajudou a revelar as ligações suspeitas a Isabel dos Santos, a relação com a administração de Trump e ao trabalho de lobbying feito na campanha do Presidente do EUA deverá ter motivado a contratação por parte de Isabel dos Santos. Mesmo no processo de impeachment que agora Trump está a enfrentar, o nome de Stryk surge como prova de que durante o caso com a Ucrânia pessoas ligadas ao Presidente dos EUA já referiam que poderia ser necessário contratá-lo.

A 19 de janeiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação revelou vários documentos que apontam para alegados atos de corrupção por parte de Isabel dos Santos, que terá construído a sua fortuna usando meios e dinheiro do estado angolano e fazendo uso de relações privilegiadas, graças à influência do pai, José Eduardos dos Santos, antigo Presidente angolano.

Esta quarta-feira, a empresária angolana foi constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela petrolífera estatal Sonangol. O anúncio foi feito pelo procurador-geral da república (PGR) de Angola, Heldér Pitta Grós, em conferência de imprensa em Luanda. “Posso adiantar que este processo já foi transformado em processo-crime e que algumas pessoas foram constituídas como arguidas, nomeadamente a própria senhora Isabel dos Santos”, afirmou Pitta Grós. Em causa, explicou o PGR de Angola, estão suspeitas de crimes como branqueamento de capitais, falsificação de documentos, abuso de poder e tráfico de influências.