Que a atual temporada do Liverpool está a ser impressionante, ninguém duvida. Que o Liverpool vai ser campeão inglês no final da temporada, já existem poucas dúvidas. Que o Liverpool terá novamente uma palavra a dizer na Liga dos Campeões, é indubitável. Que os anos civis de 2019 e 2020 poderão ficar para sempre na história do Liverpool, é um dado adquirido. A atual época da equipa de Jürgen Klopp, à semelhança do Real Madrid dos galácticos, do Barcelona de Guardiola e do Manchester City do mesmo Guardiola nos últimos 15 anos, está a tornar-se uma caixa de Pandora de recordes que parece quebrar um registo histórico sempre que o Liverpool entra em campo.

No domingo, contra o Manchester United, os reds alcançaram o melhor arranque de sempre de uma equipa na Premier League, aos chegarem às 21 vitórias em 22 jogos, mais uma do que o Manchester City de 2017/18. Depois dessa partida, em que bastou um golo de Van Dijk na primeira parte e outro de Salah na segunda para derrotar a equipa de Solskjaer, o jornal Marca fez as contas aos recordes que este Liverpool ainda pode quebrar até ao final da temporada. Alcançado o do melhor arranque de sempre, restam nove: maior série de vitórias em casa; maior série de vitórias; maior série sem derrotas; menor número de derrotas numa temporada; maior número de vitórias numa temporada; maior número de pontos numa temporada; maior número de vitórias em casa; maior número de vitórias fora; e maior número de dias sem perder.

Dos nove registos à mercê do Liverpool, o mais simples de alcançar será logo o primeiro, da maior série de vitórias em casa: a equipa de Jürgen Klopp precisa apenas de ganhar os próximos dois jogos em Anfield, contra o Southampton e o West Ham, para superar o Manchester United de Alex Ferguson em 2011/12. Já os mais complexos, ainda que nunca impossíveis, são os que pertencem ao histórico Arsenal dos “Invencíveis”, em 2003/04, quando Thierry Henry, Patrick Vieira e companhia não perderam qualquer jogo em toda a temporada e estiveram 537 dias sem sofrer qualquer derrota.

Esta quinta-feira, a barreira que o Liverpool tinha de ultrapassar na longa corrida de obstáculos que é a Premier League era o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo. Um Wolverhampton que, esta semana, ficou a saber que vai acrescentar mais um português à já numerosa armada nacional. Daniel Podence, jogador formado no Sporting que está desde 2018 nos gregos do Olympiacos, vai ser reforço de Nuno nesta janela de inverno e suprir a saída de Patrick Cutrone, o italiano que havia chegado no verão mas nunca se adaptou à equipa inglesa, acabando por ser emprestado nos primeiros dias do ano à Fiorentina.

A chegada de Podence, numa altura em que Diogo Jota está a regressar de lesão e Pedro Neto tem tido um alto rendimento na frente de ataque do Wolves, abre espaço a várias perguntas que só poderão ser respondidas por Nuno Espírito Santo nos próximos jogos. Podence chega para ser o novo Diogo Jota e vai empurrar tanto o avançado ex-FC Porto como Neto para o banco de suplentes? Podence chega para competir com Jota porque é Neto o novo avançado que na temporada passada foi instrumental ao lado de Raúl Jiménez? Ou Podence chega para acautelar desde já uma saída de Jiménez agora ou no verão e o ataque do Wolves vai dentro em breve ser totalmente português?

Perguntas à parte, o Liverpool visitava esta quinta-feira o Wolverhampton sabendo que tanto Manchester City como Leicester haviam vencido — o que tornava obrigatório ganhar para manter a mais do que confortável vantagem de 16 pontos para o segundo lugar e 19 para o terceiro. Com o onze habitual, com Oxlade-Chamberlain no meio-campo, a equipa de Jürgen Klopp chegou ainda dentro dos primeiros dez minutos, por intermédio do capitão Henderson: Trent Alexander-Arnold, o rei das assistências na Premier League, bateu um canto na direita e o médio apareceu ao primeiro poste, praticamente sem oposição, a cabecear para golo (8′). No final de uma primeira parte onde o Wolves até teve mais ocasiões de golo mas o Liverpool só precisou de uma para abrir o marcador, a única má notícia para Klopp era mesmo a lesão de Mané. O avançado senegalês pediu para ser substituído ao passar da meia-hora depois de um lance dividido mas a saída, que abriu espaço à entrada do reforço Minamino, pareceu ter sido mais preventiva do que obrigatória.

Sadio Mané pediu para ser substituído ainda durante a primeira parte

Depois de um início de segunda parte muito morno, em consonância com aquilo que tinha sido o último período do primeiro tempo, Raúl Jiménez acabou por empatar a partida na sequência de uma deliciosa jogada de transição ofensiva por parte do Wolves. Adama Traoré entregou a Jiménez, que conduziu pela faixa central até voltar a solicitar o avançado espanhol na ala direita: Traoré tirou um cruzamento perfeito para a zona da marca de penálti, onde o mexicano apareceu totalmente sozinho a cabecear para bater Alisson (51′) pela primeira vez em 50 dias.

Numa segunda parte em que o Wolves foi melhor em toda a linha — em posse de bola, em intensidade, em qualidade e em oportunidades de golo –, a verdade é que a equipa de Nuno Espírito Santo não conseguiu concretizar as chances que criou e que acabou por ser mais uma vítima da capacidade individual do Liverpool. A seis minutos dos 90′, numa altura em que o Wolves acreditava que podia conseguir mais do que o empate e os reds andavam muito longe da baliza de Rui Patrício, Roberto Firmino só precisou de uma oportunidade para dar a vitória a Jürgen Klopp. Na sequência de um lançamento de linha lateral e de um bom trabalho individual de Salah, Henderson descobriu Firmino em desmarcação na cara de Patrício e o brasileiro não falhou (84′).

No final do jogo, o Liverpool voltou a vencer, chegou às 22 vitórias em 23 jornadas da Premier League e manteve a distância de 16 pontos para o Manchester City e 19 para o Leicester. Quanto a Nuno Espírito Santo e ao Wolves, que estiveram muito perto de se tornarem apenas a segunda equipa a roubar pontos esta época ao Liverpool, acabaram por perder de forma algo injusta mas que é, novamente, a imagem da temporada da equipa de Jürgen Klopp: a estrelinha de campeão está lá e dificilmente será derrotada.